Dr. Sin e Stormental
 
Local: JB Rock Pub - Balneário Camboriú/SC - 30/01/09

Bandas: Dr. Sin e Stormental.

 

    Desde que frequento a vida noturna, raramente me deparei com alguma casa dedicada ao Rock And Roll com estrutura agradável. Normalmente, shows undergrounds ocorrem (pelo menos no litoral norte catarinense e região do Vale do Itajaí) em locais toscos. Música pesada e conforto adequado deveriam, mas raramente caminham juntos, exceto em eventos internacionais e nos tradicionais festivais ao ar livre de Santa Catarina.
    O JB Rock Pub, localizado em Balneário Camboriú, cidade conhecida como Maravilha do Atlântico Sul, é um dos poucos lugares que, apesar de pequeno (comporta aproximadamente seiscentas pessoas), tem bons sanitários, serviço de bar, restaurante e climatização, ou seja, para alguns, é um segundo lar. Pelo palco do Pub passaram nomes como Mindflow, Syndrome, Steel Warrior, Perpetual Dreams, Khrophus, Tequila Baby e Matanza. Desta vez, a gerência trouxe dois grandes nomes, sendo um conhecido como um dos ícones do Hard Rock moderno, e outro, a grande promessa do Prog.

 

    O Dr. Sin tocou na região em 2006, no Festival Porto da Música, na cidade vizinha, Itajaí. Um excelente show que deixou saudades e justamente por isto houve a iniciativa de trazê - la novamente. Já a Stormental, mesmo sendo de Florianópolis, não havia pisado nas redondezas das terras de Latitude -26° 59' 26'' e Longitude 48° 38' 05''.
    Recém chagada da segunda turnê européia, o Stormental aceitou a proposta de ser banda de abertura das apresentações realizadas pelo Dr. Sin e Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Balneário Camboriú (SC). Considerando o conhecimento técnico do quarteto catarinense, o mesmo está no mesmo nível da atração principal, que obviamente, por ter mais tempo de estrada, também possuí mais apreciadores. Neste caso, a única vantagem obtida pela banda mais jovem foi a divulgação do trabalho.
    Por volta da uma hora da madrugada, a casa contava com aproximadamente quatrocentos espectadores ansiosos. Neste momento, a Stormental começa a apresentação mostrando a originalidade da fusão entre diferentes vertentes do Metal, incluindo Heavy e Prog, este último como elemento principal. Não há teclados, muito menos baladas, fato que torna justo o rótulo de “Raw Prog Metal”. Orientando o leitor, a sonoridade da Stormental passeia entre o Dream Theater, Queensrÿche, Control Denied, Sadus e Death. Os vocais são limpos e com timbre peculiar, contribuindo para a identidade da banda. As guitarras mostram riffs pesados e, assim como as linhas de baixo e bateria, são quebradas, fugindo completamente do tradicional quatro por quatro. Estas características são comuns ao Prog Metal e são facilmente observadas no debut “Stormental” e no EP “Unleashing The Madness”, mas há uma grande diferença entre ouvir um CD e ver o mesmo sendo tocado, pois a interpretação (incluindo presença de palco) agrega valor ao talento dos músicos. Devido à limitação de tempo, o set list foi curto e contou com faixas já conhecidas, como “Live”, “Unleashing The Madness”, “Rising” e “Stormental”, além de novas, como “Double Edged Blade”, “Infernal” e “Almost Over”. Como sempre, composições de difícil compreensão aos mais conservadores, mas que agradam apreciadores da inovação. Aos interessados, os registros citados estão disponíveis para download gratuito na página oficial (www.stormental.com.br).
    Quase três anos se passaram e os “doutores” retornaram a Santa Catarina, desta vez, divulgando o disco “Bravo”, possivelmente o mais pesado da Dr. Sin. A banda tem seis álbuns de estúdio, dois ao vivo e mais de quinze anos de estrada, ou seja, experiência que não é para qualquer um, mesmo por que, são raras as bandas nacionais que sobrevivem a mais de uma década. O porcentual é menor quando consideramos um longo período de existência e sem alterações na formação.
    Assim como a Stormental, as execuções foram precisas e o domínio do palco, indiscutível. O set list longo não é lembrado com precisão, mas contou com músicas como “Drowing In Sin”, “Time After Time”, “Sometimes”, “Down In The Trenches” e “Fire”. A “finaleira” foi com “Futebol, Mulher & Rock And Roll”, cujo refrão foi cantado pela massa, que no momento estava alcoolizada e em clima de festa, como pede o estilo.
Não desprezando as influências, nomes como Deep Purple, Van Halen e Black Sabbath foram lembrados, este último, com a faixa pouco conhecida “It's Alright”, na versão original cantada por Bill Ward e nesta ocasião, pelo baterista Ivan, que fez comentários infelizes sobre os equipamentos de som, fato incompreensível, visto que, segundo testemunhas, a própria banda e roadies conferiram os itens solicitados.
    Bandas, público e organização estão de parabéns, assim como o talentoso tecladista contratado pela Dr. Sin, os roadies (principalmente o que assumiu as baquetas enquanto Ivan Busic cantava) e mesários.
    Mesmo com alguns pequenos problemas, um evento sensacional que ficou na história do underground catarinense e certamente uma vitória da gerência do JB Rock Pub.
 
Fotos: Kleber Rita
Texto: Cristiano "Frank" Gonçalves
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