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6º Bob Rock Festival
Local:
Rancho do Avaí – Dona Emma/SC - 08 e 09/04/06

 

Bandas: Haze In Flames, SKP, Juggernaut, Methodic, Dalilla, Vulkro, Rhasalon, Vlad V, Bedlam, Jailor, Necrotério, Doomsday Ceremony, Warriors Of Metal, Shadow Of Sadness, Arsenal, Ninguém Sabe, Efeito Nocivo, Pain Of Soul, Morgan, It Self, Pantera Cover.


 

    Muitos falam em Underground, mas poucos realmente agem. As reclamações são constantes e exemplificando, temos falta de apoio, de tempo e de dinheiro para organizar algum evento. Enquanto a maioria procura empecilhos para ficar acomodada, alguns “tiram a bunda do sofá” e partem para a iniciativa. Entre estes, podemos destacar Bob, a qual há seis anos organiza o Bob Rock Festival, em de Dona Emma. Com menos de 3.500 habitantes e caracterizada pela economia rural, há anos que o a cena underground é fortalecida na cidade e nos arredores pela família Küter, provando a força de vontade é fundamental na organização de festivais no interior.
    O evento é mais um dos “Open Air” característicos do Estado. Contando com área para camping e infraestrutura satisfatória (exceto pelos banheiros, que melhoraram muito em relação aos anos anteriores, mas ainda são insuficientes para o grande número de participantes), fornecendo alimentação e cerveja de qualidade, além da tradicional cachaça de alho, é uma ótima oportunidade para as bandas mostrarem seus trabalhos.
    Após três horas de viagem, chegamos ao destino. Como de costume, a excursão atrasou, impedindo-nos de presenciar as duas primeiras bandas. Da portaria, ouvia - se um Thrash Metal agressivo, executado pela Juggernaut, banda que muito tem sido elogiada. Se o demo - CD chama a atenção, ao vivo o “power trio” confirma o profissionalismo. Além de músicas como Holy Lie, Anytime It Will Be Over e A Question To Be Answered, agradou o público com Nailed To The Cross (Destruction).
    Com uma proposta semelhante a da Juggernaut, porém mais técnica, a Methodic (atual destaque Catarinense na mídia especializada) apresentou algumas músicas de A Monument To Nothing, mostrando influências de nomes como Overkill e Testament. Pelo fato do material ser recente, as músicas ainda não são conhecidas, porém, a aprovação foi unânime.
    Dando uma pausa para os pescoços, a Dalilla apresentou um Rock And Roll com influências “setentistas”. Por necessidades fisiológicas, nos ausentamos durante este período.
    Mórbido, esse é o adjetivo mais apropriado à proposta da Vulkro. Muito peso e andamentos lentos justificam a definição de Funeral Doom Metal. Assim como grande parte das bandas presentes, o material é recente, impossibilitando o acesso à maior parte do público.
Passava das 20 horas quando a Rhasalon, influenciada por clássicos como AC/DC e Iron Maiden, sobe ao palco quebrando os boatos de término e, como sempre, mostrando muito profissionalismo. Faz tempo que lançaram o demo - CD Four Tunes e percebe - se que está na hora de um full - lenght.
    A oitava banda a se apresentar é uma veterana no cenário. Com cinco álbuns lançados, Vlad V fez uma excelente apresentação de Hard Rock com influências de Folk e Progressivo, mostrando que por mais que haja preconceito, é possível fazer música de qualidade cantada em nosso idioma. Entre as músicas próprias, Borboleta da Noite foi a mais ovacionada. Já os covers variaram de Jethro Tull a Deep Purple, passando por Rush e até mesmo Zé Ramalho.
    A música extrema voltou a aparecer com a Bedlam, a qual executou o demo - CD Evil Empire, além de músicas inéditas que estarão no próximo registro, possivelmente um álbum.
    Veterana em festivais catarinenses, a Jailor mostrou a fúria do Thrash Old School. Satisfação total por parte do público, que cantou quase que na integra Evil Corrupts, com destaques para as músicas Jailor e Corpus Christ. Além das ótimas execuções, a banda sempre apresenta excelente atuação em palco.
    Respeitadíssima no cenário Underground, a Necrotério mostrou aos presentes o motivo pelo qual é tão citada quando o assunto é Death Metal. Brutalidade define o que presenciamos, mas infelizmente, este foi o primeiro contato e mais uma vez, as músicas não eram de nosso conhecimento.
    Citada atualmente como uma das bandas mais originais no cenário, a Doomsday Ceremony chamou a atenção com a fusão Black Metal, Heavy e Doom. Composições como Flame To Freedom, Lunatic Serenade a Vampire Saga, além surpreender, mostraram que é possível representar o estilo sem ser cópia de Dark Throne ou outra banda Norueguesa.
    Já era madrugada quando as necessidades fisiológicas aparecem e o corpo pediu um descanso. Por isso, não presenciamos a apresentação das bandas Warriors Of Metal e Shadow Of Sadness.
    Depois de uma boa dormida, acordamos com o som da Arsenal, banda de Thrash Metal que está em fase de produção do primeiro demo - CD. Além de ótimas composições, a presença de palco é outro ponto forte dos membros que estão em constante evolução, surpreendendo a cada apresentação.
    O bom e velho Rock And Roll, com influências nacionais setentistas, foi apresentado pela Ninguém Sabe. A proposta é interessante, mas faltam alguns ensaios. Covers de Raul Seixas, Secos e Molhados e Mutantes despertaram a velha guarda remanescente do movimento Hippie.
    Uma das revelações do evento foi a Efeito Nocivo, que investe num Heavy Metal oitentista, cantado em português. Ótima banda merecedora de incentivo.
    Doom Metal ao meio dia? No mínimo, a escolha de horário foi errada. A Pain Of Soul é uma veterana no Estado, ainda mais se tratando de música sombria e depressiva. Antes mesmo dos modismos de misturar vocais guturais e líricos, esta banda estava na estrada fazendo o que hoje se tornou banal. Músicas como Soul’s Land e Solitude Deep Inside Of Me resumem a proposta.
    O estômago começou a pedir alimentos, fazendo com que nos ausentássemos para o almoço, perdendo a apresentação da banda Morgan, a qual foi bastante elogiada pelos que presenciaram. Retornando, estava no palco a que certamente foi o grande destaque do evento. A It Self apresenta um som pesado, porém inrotulável, com características que variam do Crossover ao Thrash. A formação é um trio, onde a responsabilidade dos vocais fica por conta do baterista, o qual exerce de maneira impressionante as duas funções. As habilidades ficaram claras na execução de Master Of Puppets (Metallica), com um andamento mais veloz que na versão original.
    Encerrando o evento, Pantera Cover faz uma apresentação com mais de duas horas, tocando músicas de todas as fazes, incluindo New Level, Fucking Hostile, Shattered e This Love.
    Perceptivelmente, o Bob Rock Festival progride a cada edição e está na lista dos festivais mais importantes do Estado. Esperamos que na sétima edição alguns problemas citados sejam superados, e que novamente encontremos um público que prega a paz, a cerveja e o Rock com todas as suas variações.

 

Por Cristiano "Frank" Gonçalves 
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