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Metal é coisa séria!
 

    Resolvi escrever estas linhas ao ler uma entrevista com o guitarrista K.K. Downing (Judas Priest), em uma conceituada revista, onde o mesmo comenta que precisam, ás vezes, mostrar um lado mais comercial, para que a música chegue a mais pessoas e que essas se interessem em ouvir mais discos do estilo, desperte a curiosidade. Desse modo eles querem tentar abrir a cabeça das pessoas, pra mostrar que o Metal é um estilo sério e duradouro, que parem de rotular de apenas barulho ou caricaturar a imagem das Bandas e dos Fãs, citando as histórias tipo o Ozzy morder cabeças de morcegos, essas coisas, assim como as famosas mensagens ocultas, quando as faixas são tocadas de trás pra frente, pactos com o demônio e outras bobagens.
     Por mais que, em vários momentos, a tal indústria musical, que vive fabricando (ou tentando) novos ídolos ou estilos, continue apresentando a cada semana uma nova “salvação da música” ou “maior revelação”, coisas superficiais para quem consome música como se fosse um lanche do Mac Donald’s, Fast Food Music!Quantos desses novos estilos ou revelações bombásticas sobreviveram? Bandas fabricadas ou oportunistas que ninguém lembra mais que existiram. Enquanto estouram um hit nas rádios comerciais, estão vendendo Ok! Uma fórmula dá certo, aparecem milhões de cópias, todas querendo sua fatia, afinal este é um mundo capitalista. Enquanto produtos bonitinhos e descartáveis, artistas sem imaginação, medíocres e com pose de superstar (quantos “ novos” Beatles, Led Zeppelins e etc foram anunciados?), não duram muito tempo, logo seu público terá um novo ícone para idolatrar, o Heavy Metal segue através dos anos, consolidado como estilo musical e estilo de vida, juntamente com o crescimento dos selos independentes e especializados no estilo, o surgimento de Bandas de qualidade, em todo o canto deste mundo, a profissionalização destas Bandas, que se preocupam em fazer um trabalho de qualidade, seja musical, lírico, na produção gráfica, na parte técnica dos músicos, que estão sempre entre os melhores em seus instrumentos. Metal não é música passageira ou caricata, Headbangers também não são, como ainda setores preconceituosos tentam pixar. Basta lembrar o episódio do assassinato de Dimebag Darrel, quando uma emissora de TV do País, através de um jornalista que se acha o sabe - tudo, meteu - se a falar sobre assuntos que não são do seu meiozinho intelectualóide, dando a entender que isso é algo comum nos shows de Metal, que as Bandas incitam, pregam a violência através da música, ou seja, somos uma bomba relógio, pronta pra explodir assim que alguma banda aciona o detonador no palco, com suas palavras de ódio e violência!!??Desculpem as palavras, mas quanta merda ainda somos obrigados a ouvir? Se os caras, retrógados e preconceituosos , não gostam ou odeiam um certo estilo musical, ou o que for, calem a boca! não falem besteiras incoerentes. Será que nos shows de pagode, nas raves, nos bailes funk e de carnaval, não pode acontecer fatalidades como essas? Com tanta coisa acontecendo de grave, algumas pessoas, por seu preconceito, transformam em vilão a própria vítima.
     Acostumados com isso, os fãs de Metal, devem reagir inteligentemente, para não se colocar no nível de pessoas assim, não metemos o focinho onde não somos chamados, gostamos de música realmente feita com feeling e qualidade, somos contra a “Fast Food Music” , se alguns a preferem, tudo bem, vamos continuar ouvindo a nossa, e tentando mostrar a mais pessoas que o Metal é um estilo sólido, íntegro, assim como os grandes clássicos, que vem sobrevivendo ao tempo, com bandas que estão aí há mais de 30 anos, enquanto que muitos estilos que surgiram, já estão enterrados. Nós continuamos, desde o tempo que éramos discriminados por pais ou vizinhos, por tocarmos nossos discos barulhentos e satânicos!
     Lembro mais ou menos da história do tecladista Fábio Ribeiro, que batizou seu projeto Blezq Zatzas, porque quando ouvia um LP do Black Sabbath com amigos, teve que ouvir seu Pai esbravejando para baixar aquela barulheira, e quando tentou argumentar que era Black Sabbath, recebeu como resposta “ Que Blezqi Zatsaz que nada, baixa esse barulho!”
     Situações engraçadas, que temos mais de uma geração que curte Metal, com certeza já diminuíram. Independente de apoio da grande mídia, que já tentou matar o Metal várias vezes(ha há há ), estamos aí, boa música nunca foi sinônimo de música comercial.
      Surgem novos selos, programas de rádio, revistas, programas de TV, como o recente programa dos humoristas do grupo Hermes e Renato, com sua Banda Massacration, que satiriza os clichês do Metal, muitos do meio são contra, mas de uma maneira, assim como o Judas Priest, que citei no início, volta os olhos das pessoas para o Metal, é uma maneira bem humorada de encarar o modo como muitos enxergam o estilo.
     Muitos fãs dos primórdios, hoje são Pais de família, que vão com seus filhos aos shows, curtem as mesmas bandas, assim como muitos dos músicos, que também tem família, muitas vezes não vivem da música, mas amam essa razão de viver chamada METAL!

 

Por Carlos "Caco" Garcia
Humor - Márcio Baraldi Rádio All The Bangers Downloads Guestbook Brothers