Alguns podem questionar qual motivo nos leva a entrevistar uma banda que foge do Metal. A resposta é simples, enquanto vários bangers apreciam o folk europeu e até mesmo norte - americano, nós optamos em valorizar o da nossa região. Nesta proposta, ninguém melhor que a Tribuzana para expressar a cultura do litoral norte de Santa Catarina. Conheça mais sobre o “quarteto peixeiro” através das respostas cedidas por Mário Jr. (bateria).

 
01. Qual a origem do nome Tribuzana?
Mário Jr.:
Tribuzana é um termo litorâneo que significa “intempéries nos mares do sul”, ou seja, uma mudança brusca nas condições climáticas. Essa palavra é usada pelos pescadores e população nativa do nosso litoral há muitos anos. Possuo uma banda de música instrumental brasileira e Jazz chamada Samburá, que antes chama - se Tribuzana e que na época (2002) tinha encerrado as atividades, então em 2004, quando o Venâncio estava com essa idéia de som, lembrou do nome e me acessou.

02. Há uma diferença no line - up da banda em relação ao debut. Quais motivos levaram à saída de André e Betão?
Mário Jr.:
Pergunta muito interessante. O dia - a - dia de uma banda, suas dificuldades, divergências sonoras e de objetivos a respeito da construção de uma sonoridade, acredito que foram os principais motivos. São pessoas maravilhosas e que temos contato e amizade até hoje, inclusive o André ainda fez uma participação conosco em maio desse ano, num show em Garopaba.

03. Em relação ao primeiro disco, quais as principais diferenças?
Mário Jr.:
Existe sempre uma diferenciação natural quando um grupo compõe um próximo trabalho, pois como músicos e seres humanos, não passamos pelos mesmos momento na hora de compor e arranjar e isso se reflete na música. A estática definitivamente não faz parte desse grupo. A evolução da sonoridade e a participação do Mestre Dinho com a composição de um novo ritmo influenciaram de forma direta, além de uma participação ativa de todos os membros nos arranjos.

04. Quanto ao estilo denominado Água - Pé -Açú, qual a origem e de onde veio o nome?
Mário Jr.:
Então, durante o 9º Festival de Música de Itajaí, conheci o Mestre Dinho Gonçalves, pois sempre estou envolvido na produção, e durante as oficinas, trocamos muitas figurinhas e o Chico (Percussão e vocal) também estava participando. O Mestre pirou com a cidade, com a galera, e questionou vários aspectos nossos, colonização, características, e compôs uma peça de percussão que é o Ritmo Água Pé Açu. Daí já viu pegamos esse ritmo que é inédito e começamos a compor em cima... Ah, o nome é em homenagem a uma vegetação nativa do Rio Itajaí - Açú, tem uma música nossa que fala da história do água pé, Guardião do Açu, confiram!!!

05. Percebemos fortes influências de Chico Science e Dazaranha. Além destas, que outras bandas contribuem para a sonoridade da Tribuzana?
Mário Jr.:
Sim é natural e inevitável, pois são influências comuns a todos os membros da banda, mais acredito que estamos no caminho de uma sonoridade própria, pelo menos acredito (risos)
Bom, o Lenine é uma influência muito forte, o Rappa também, mais acredito que a experiência individual de cada membro é 80% do lance, aí essas influências vêm pra somar. Uma coisa é importante ser dita, nunca tivemos a pretensão de fazer um som igual a alguém, tanta coisa já foi feita em termos musicais que as comparações são naturais, pois todos precisam classificar a música, espero que as pessoas não se preocupem tanto em classificar as coisas, mais sim deixar a música fluir sem barreiras, pode crer que é mais saudável!!!

06. A maior parte das letras retrata a cultura do litoral catarinense. Quem as escreve, de onde vêm as idéias e quais as fontes?
Mário Jr.:
Sim, o Venâncio Domingos é o nosso principal compositor, principalmente no quesito letra. Um lance que ele nos relatou foi que quando ele percebeu a sua própria cultura, olhou com atenção a sua volta, ele sentiu - se mais a vontade e em casa pra escrever e compor, essa é uma característica básica nossa. O litoral é inspirador por si só, a beleza dessa região é impar e as histórias que nos cercam por aqui são muito boas, Boitatá, Boi de Mamão, bruxas, então acessamos nossas memórias, fizemos leituras do Franklin Cascaes, e o negócio fluiu!

07. A maior parte dos membros da Tribuzana já passaram por bandas de Rock e até mesmo Metal. Como foi o processo de mudança até chegar na atual sonoridade?
Mário Jr.:
Mais natural impossível. As influências continuam, não tem como você esquecer. O Rock em geral é muito forte, e se reflete nitidamente, talvez não tão aparente, com guitarras e tal, mais todos sabem, o Rock, o Metal, são classificações de uma manifestação artística que é a música. O músico deve saber se expressar conforme a música pede, por exemplo, existem músicos de metal que soam mais leves que Enya, não tem expressão e tem músicos de Jazz, ou de outros estilos que soam com mais peso, que um container de Marshalls valvulados ligados em linha. Expressão é a chave, não importa com que ferramenta musical. Escutem Pata Na Lama, super pesado e experimental.

08. Além da Tribuzana, que outras atividades são exercidas pelos integrantes?
Mário Jr.:
Bom o Fernando é luthier de instrumentos de corda, fabrica guitarras, baixos, violões, regulagens de instrumentos, um especialista no assunto. O Venâncio toca baixo em outra banda, o Criva, e também trabalha com design gráfico. O Chico toca com vários outros artistas da região e é professor de Percussão na seção de Música da Univali. Eu sou professor de bateria na Proarte de Itajaí, Escola de música Harmonia (Camboriú), aulas particulares, e workshops. Toco na Banda Samburá que faz música instrumental brasileira e Jazz.

09. Como ocorreu a parceria com a KR Drums e qual a vantagem de uma bateria customizada?
Mário Jr.:
Foi uma maravilha que me aconteceu, sempre curti instrumentos customizados, e conheci o Kennedy através do Frank. No Festival de Música a KR cedeu os instrumentos e criamos uma afinidade muito grande e hoje sou parte da família KR com muito prazer e orgulho. A diferença do instrumento customizado é que ele é feito pra você, com suas especificações de medidas, peles, ferragens, sem comparação com instrumento de linha industrial. A bateria fica de acordo com o estilo do músico e com o som que ele faz. Outra coisa é a escolha das madeiras nobres, o que dá uma sonoridade ímpar e top de linha ao instrumento, resumindo é uma finesse total!!!

10. O álbum é independente, mas conta com diversos colaboradores. Como foi a negociação com a Braskarne, Teconvi, Prefeitura e Funcação Cultura de Itajaí?
Mário Jr.:
Esse trabalho foi possível graças a Lei Municipal De Incentivo a Cultura, e as empresas entram com as verbas, que ao invés de pagar impostos normais, patrocinam projetos culturais tendo abatimento nestes impostos municipais. Essa lei é aberta a todos os produtores culturais da cidade e fomos agraciados. As negociações são as mais tranqüilas possíveis, foi só levar o projeto para as empresas. Elas gostam do trabalho da banda, nos vêem como produtores sérios e com um trabalho consistente.

11. Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço aberto para as considerações finais. Grande abraço.
Mário Jr.:
Também agradecemos muito ao All The Bangers pelo apoio de sempre à música independente e à música de verdade, que infelizmente não faz parte do cotidiano da maioria das pessoas. Visitem o www.palcomp3.com.br/bandatribuzana e confiram as músicas dos nossos dois CD' s já lançados. É isso aí, muita música pra todos e fiquem na paz!!!
 
Home Page Oficial: www.palcomp3.com.br/bandatribuzana
 
Por Cristiano "Frank" Gonçalves
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