Elogiada pelo Cannibal Corpse e agora em turnê com Vader e Marduk, a The Ordher é, sem dúvida alguma, um dos maiores nomes da nova safra do Death Metal mundial. O segundo álbum acabou de sair do forno e está mais maduro e técnico que o já excelente, “Weaponize”. Para saber mais sobre essa nova fase, conversei com Fabiano Penna, guitarrista e compositor.

 
01. Dois álbuns em aproximadamente dois anos. Feito raro quando consideramos bandas undergrounds nacionais. Que fatores levaram a este resultado?
Fabiano Penna:
Todos na banda vivemos de música, de uma forma ou de outra, obviamente não dependemos apenas do The Ordher, mas somos envolvidos com outras atividades dentro da música, então a gente pode fazer nossos horários pra trabalhar pra banda o máximo possível, não levamos o The Ordher como um hobby. E gostamos do que fazemos, acho que isso ajuda também...

02. Segundo o encarte, a faixa “Kill The Betrayers” foi composta em 2005. Vocês possuem outras músicas antigas para próximos lançamentos, do tipo “cartas na manga” para alguma emergência?
Fabiano Penna:
Não, essa foi uma exceção. Essa faixa na realidade foi criada ainda quando eu tocava no Rebaelliun, depois quando fui pro Horned God acabei gravando ela sob outro nome, e quando montamos o The Ordher sugeri aos caras usarmos ela, já que não tínhamos muito material pra tocar na época. Fizemos uma nova versão, mudamos letras, título, e acabou sendo a primeira faixa que gravamos, a primeira que divulgamos na Internet também. Depois deixamos de lado, mas muita gente sempre cobrou de nós incluir esse material num disco. Acabamos mais uma vez “ressuscitando” ela pro disco novo.

03. Entre “Weaponize” e “Kill The Betrayers”, o que vocês observam como principais diferenças?
Fabiano Penna:
É um trabalho mais maduro em todos os sentidos, desde a arte gráfica até a composição, passando pela execução das faixas, concepção do disco, letras, etc. Considero o disco uma extensão do primeiro, é a mesma banda, o mesmo estilo, mas aprimorado, evoluído.

04. No primeiro disco eu estranhei os timbres das guitarras, hoje percebo essa singularidade como um dos diferenciais da The Ordher. Vocês concordam com essa afirmativa?
Fabiano Penna:
Muita gente prestou atenção no fato das guitarras no “Weaponize” soarem bem médias, algumas pessoas não gostaram, outras gostaram bastante. Talvez seja um diferencial dentro do Metal extremo, porque boa parte das bandas sempre vai na direção das produções modernas, que não apresentam muitos médios, o que na minha opinião “mata” o som da guitarra completamente. Enquanto a grande maioria dos guitarristas de Metal extremos usam amplificadores Mesa Boogie, continuo sendo um defensor dos Marshall.

05. Os solos sempre são acompanhados por bases pesadas. Vocês não sentem falta de mais uma guitarra nos shows? O que impede um quarto integrante?
Fabiano Penna:
Quando tocamos em algum lugar sem muita estrutura, realmente faz falta uma segunda guitarra, principalmente nas partes dos solos. Mas quando tocamos numa boa casa, com um bom backline, um bom P.A., um bom técnico, conseguimos preencher muito bem o som. E nosso objetivo é fazer a banda crescer e manter um padrão de qualidade nos shows, então não vamos colocar mais uma pessoa na banda só pra “tapar buracos” em shows sem estrutura. Preferimos evitar esses shows sem estrutura, é nossa decisão. Montamos o The Ordher com a concepção do Power trio, e a essa altura botar um outro cara na banda seria só dor de cabeça.

06. O que causou a saída de Maurício e como chegaram na escalação de Cássio?
Fabiano Penna:
O Maurício queria se dedicar às aulas de música, e como a gente tava querendo botar a banda na estrada, ia completamente contra os objetivos pessoais dele. Tanto que hoje ele ta morando fora do país e vivendo só de aulas de música. Ele indicou o Cássio, que era um ex aluno dele.

07. Além da troca de baterista, também observei a mudança de selo. O que houve com a Encore e como surgiu a oportunidade de trabalhar com a Freemind?
Fabiano Penna:
Na realidade o The Ordher segue na mesma companhia, nosso contrato é com a Unique Leader, dos Estados Unidos. Temos os direitos dos nossos álbuns no Brasil, pro primeiro disco vendemos uma licença pra Encore, que fez um bom trabalho no geral, apesar de carecer de promoção. Pouco antes de gravarmos “Kill The Betrayers” conheci o Rodrigo da Freemind, gostei da visão dele de mercado e tal, ele nos fez uma boa proposta, e fechamos com ele. Até agora o resultado tem sido mais do que positivo, 100% mesmo.

08. No Brasil, percebi que o debut recebeu muitos elogios. Houve resposta positiva em relação ao exterior? Surgiu a possibilidade de lançar os álbuns da The Ordher em outro país?
Fabiano Penna:
Como falei acima, nossos 2 discos saíram aqui fora pela Unique Leader Records, gravadora da Califórnia. Apesar do “Weaponize” não ter recebido muita promoção, tivemos um feedback muito positivo, mas acreditamos que o disco novo vai chamar muito mais atenção.

09. As gravações de “Kill The Betrayers” ocorreram entre março e junho de 2009 e observei nas datas que muitas faixas foram compostas enquanto vocês estavam no estúdio. É correto afirmar que houve pressão no lançamento do disco ou vocês estão acostumados a trabalhar desta forma?
Fabiano Penna:
Não houve pressão, houve sim uma mudança de datas. A gente estava planejado pra gravar o disco mais tarde, mas como pintou essa tour pra gente fazer aqui na Europa junto com Vader e Marduk, precisamos dar uma apressada no processo pra lançar o disco junto do início da tour. Sempre temos muito material gravado, então foi mais uma questão de nos concentrarmos pra finalizar tudo a tempo. Muita coisa a gente fez na hora mesmo, pelo menos 2 músicas do disco nunca foram ensaiadas, aprontamos umas demos com bateria eletrônica uns dias antes pro Cássio gravar as partes dele, e depois fomos arranjando as faixas durante as gravações dos outros instrumentos.

10. Em 2008 rolaram boatos de shows da The Ordher no vale do Itajaí (Santa Catarina). O que impediu que a banda se apresentasse nesta região? Com essa “crise” do underground brasileiro, como está a agenda da banda?
Fabiano Penna:
O promotor simplesmente achou que não ia rolar e desistiu da data, isso acontece bastante. Nossa agenda por aí não ta muito melhor que as outras bandas brasileiras, ta difícil pra todo mundo. Estamos encerrando a tour européia em 2 semanas mais ou menos, e por enquanto há apenas 1 show marcado no Sul do Brasil pra dezembro. Mas agora há uma pessoa que vai trabalhar nisso pra gente, e pelo que sei já estão tentando agendar umas datas no Norte e Nordeste do país...

11. Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço aberto para considerações finais. Grande abraço da equipe do All The Bangers parabéns pelo lançamento de “Kill The Betrayers”. Esperamos vê-los nos palcos em breve.
Fabiano Penna:
Eu que agradeço pelo espaço e pelo suporte de vocês. Também esperamos fazer muitos shows pelo Brasil pra mostrar nossa música. Interessados na banda, entrem no nosso Myspace: www.myspace.com/theorderextreme.
 
Home Page Oficial: www.myspace.com/theorderextreme
 
Por Cristiano "Frank" Gonçalves
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