Se alguém ainda considera Death Metal uma barulheira incompreensível, está na hora de abrir a cabeça e conhecer a The Ordher. Formada por músicos conhecidos no cenário extremo, a banda mostra no debut uma sonoridade pesada, agressiva e técnica. Mais um nome tipo exportação. Conversamos com o baterista, que nos esclareceu várias dúvidas. Confiram.

 
01. Parabéns pelo excelente trabalho que é o álbum “Weaponize”. Como foi o processo de composição?
Maurício Weimar:
Pelo fato de ser o primeiro trabalho da banda, o nosso processo de composição foi bastante variado, pois cada um tinha o seu jeito próprio de criação nas bandas anteriores. Algumas músicas vinham praticamente prontas, outras foram desenvolvidas lentamente em estúdio, houve bastante experimentação, mudanças e reformas até as versões finais.

02. Da elaboração das músicas à prensagem, quanto tempo de dedicação?
Maurício Weimar:
Posso dizer que desde os nossos primeiros ensaios, por volta do início de 2005, já estávamos tocando as músicas que viriam a se tornar o CD. Claro que depois de uns meses que as coisas foram sendo mais planejadas devido ao contrato fechado com a Unique Leader. Tínhamos o material terminado por volta de março de 2007, isso significa um tempo total em torno de dois anos, aproximadamente.

03. Vocês vieram das bandas Rebaelliun e Nephasth. The Ordher era apenas um projeto? Quais elementos das ex - bandas ainda são observados? Vocês ainda mantêm trabalhos paralelos?
Maurício Weimar:
Sim, o The Ordher era um projeto paralelo para nós, pois eu e o Fábio ainda estávamos no Nephasth, que ainda mantinha uma boa atividade. Com o fim da ex - banda, decidimos que o The Ordher seria nosso foco principal.
Quanto aos elementos das ex - bandas, é algo difícil de analisar, pois para nós que tocamos, às vezes isso é algo espontâneo e inevitável. Obviamente, procuramos fazer algo diferente agora, pois não teria sentido continuarmos tocando algo que já tivéssemos vivido. Eu vejo que as coisas não soam como as bandas anteriores, e sim como a característica dos próprios músicos. Por exemplo, se você ouvir um riff que lembre Rebaelliun, eu vejo como característica do músico Penna e não da banda toda que era o Rebaelliun. Assim comigo e com o Fábio. É algo que devemos preservar.
Quanto aos trabalhos paralelos, todos vivemos da música sim, cada um com seu ramo. O Fábio trabalha no seu estúdio (Estúdio 1000), o Penna toca com o Andralls de SP e também no seu estúdio “El Diablo” e eu sou professor de música e músico profissional.

04. A produção do debut é muito boa, aparentemente, sem exageros digitais. Qual a proposta? Fazer com que as músicas soassem mais cruas?
Maurício Weimar:
A proposta sempre foi fazer um CD que soasse nítido acima de tudo, mas que tivesse a nossa pegada. Algo mais pesado do que já tivéssemos feito antes.
Acho que esse esquema dos exageros digitais é realmente perigoso, pois facilita a vida dos músicos e os deixa preguiçosos. Nesse CD, tudo que está gravado é real, não têm nada de edições ou efeitos que encubram falhas. Isso é uma obrigação dos músicos e seria uma vergonha usar desses artifícios para gravação.

05. Quais os temas abordados nas letras?
Maurício Weimar:
Os temas são aspectos atuais da sociedade, como as guerras impostas, o sofrimento, a questão da crença cega em determinadas coisas, das pessoas que usam do poder para corromper tudo o que está ao seu redor.
Também são abordadas questões de personalidade das pessoas, que não reagem quando deveriam reagir; e também fala sobre lutar e perseverar sempre, mesmo em condições hostis.

06. Quanto à capa, algo nela me lembra Sodom. O artista captou a idéia de vocês?
Maurício Weimar:
Gostamos muito da arte gráfica do CD também. Ficou uma coisa diferente dentro do estilo e a abordagem visual é bastante interessante.
Dificilmente outra idéia se encaixaria melhor para o título “Weaponize”.

07. Mesmo sendo Death Metal, há elementos diversos nas músicas de vocês. Quais são as influências?
Maurício Weimar:
Ouvimos muita coisa fora do Death Metal, como AC/DC, Dead Kennedys, Motorhead, Pantera... Todos nós ouvimos muito Slayer, Sepultura, Morbid Angel e todas as grandes bandas de Metal da história.
Acho que essa variedade de influências é que torna a coisa mais interessante na hora compor.

08. Como ocorreu a parceria com a Encore Records?
Maurício Weimar:
Na realidade, já tínhamos o contato com o selo há algum tempo antes do lançamento do “Weaponize” e durante a negociação com outras possibilidades de contrato, a Encore Records se mostrou a mais interessante para nós naquele momento.
Com certeza é muito importante para uma banda aqui do Brasil contar com um apoio assim.

09. Temos a impressão de que o cenário do Rio Grande do Sul é propício à música extrema. Vocês concordam? Além da The Ordher e Krisiuin, que outros nomes do Death Metal gaúcho tem se destacado no cenário regional?
Maurício Weimar:
Esse é um ponto interessante. Apesar de já se falar muito que o RS é propício à música extrema, eu não concordo muito com isso. Quem vive aqui, nota que a cena precisa se profissionalizar muito ainda. Não tem muitas casas de shows especializadas para os eventos e ainda existe muita inveja entre bandas.
Com certeza, não tem só a parte ruim. Existem algumas pessoas realmente interessadas em formar uma cena legal em que as bandas possam tocar com uma boa estrutura e que o público possa assistir aos shows numa boa.

10. Quanto aos shows, percebemos que há algumas datas no Paraná e em Santa Catarina. Há previsão para uma tour nacional?
Maurício Weimar:
Isso mesmo. No início de março estaremos no Paraná para tocar em Curitiba dia 1º, no Depths Of Insanity Extreme Metal Fest e Londrina dia 02, no Bar Armazém. Para detalhes, acessem o nosso My Space (www.myspace.com/theorderextreme), nosso Site (www.theordher.com) ou a comunidade no Orkut.
Tour nacional por enquanto sem previsão, mas com certeza estamos na batalha para tocar rapidamente ao menos nas principais capitais, Ok?

11. Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço aberto para considerações finais. Abraços.
Maurício Weimar:
Quero agradecer de verdade pelo espaço que é muito importante para as bandas divulgarem seu trabalho. Também agradecemos as pessoas que colaboram para que as coisas melhorem para nós a para a cena em geral, e dizer que estamos na batalha firme para que o Metal extremo seja cada vez mais valorizado.
 
Home Page Oficial: www.theordher.com
 
Por Cristiano "Frank" Gonçalves
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