Apostando no Death Metal com influências Black, a Sodamned lança “The Garred” em formato split com a banda gaúcha Dark Celebration. O EP apresenta, além de ótimas músicas, arte gráfica e produção profissionais, mostrando que underground e amadorismo não são sinônimos. Na falta de um selo, Gilson (bateria) criou a Face The Abyss, uma grande oportunidade para nomes promissores e sem oportunidades. Saiba mais na entrevista abaixo.

 
01. O que a Sodamned tem feito ultimamente?
Gilson:
Basicamente temos divulgado o lançamento do split CD. Temos feito alguns ensaios também, de acordo com o possível, já que moramos em cidades diferentes: eu moro em Guaramirim, o Juliano em Florianópolis e o Felipe em Blumenau. Fora isso aparecem alguns shows vez ou outra e o Juliano está fazendo uma pré - produção do nosso futuro debut álbum.
Juliano: É, estou compondo bastante material, pois queremos entrar em estúdio ainda esse ano pra gravar o debut. Como estou sozinho na guitarra, o trabalho é dobrado pra compor solos, bases, enfim. A divulgação do split CD também consome bastante tempo, respondendo E - Mails, mandando cópias do material, caçando shows.

02. Como surgiu a banda e qual a origem do nome?
Gilson:
A banda surgiu da forma que é hoje em 1999, mas um ano antes, eu, o Juliano e o Gerson (antigo baixista/vocalista) já tocávamos juntos em outra banda, mais orientada ao Thrash/Death. Este projeto não vingou, então quando o Juliano compôs a música que hoje é a “Dive In Nothing”, convidou - nos para participarmos do seu novo empreendimento.
O nome surgiu por sugestão de um dos segundos guitarristas que passaram pela banda nesses anos e não se efetivou. Gostamos da sugestão e adotamos o nome, que não passa da junção das palavras “So” – tão e “Damned” – Maldito/Condenado/Danado, unidas para dar personalidade à banda.

03. “The Garret” é um ótimo trabalho. Como foi o processo de criação?
Gilson:
Opa, ficamos contentes que tenhas gostado e agradecemos o elogio! E quanto a criação: já tocamos todas essas músicas já a bastante tempo, principalmente a “Dive In Nothing”, nossa primeira composição, então tivemos bastante tempo pra lapidar essas composições. Mas basicamente toda a linha melódica das músicas é feita pelo Juliano, após isso incluímos o ritmo e fazemos uma mudança aqui ou ali nos arranjos.
Juliano: Que bom que gostou do nosso trabalho, cara. Eu geralmente vou compondo as músicas e gravando, então mando as MP3 pro pessoal ir tirando, arranjando e acho que a única música do ‘The Garret’ que foi composta desta maneira foi a ‘Locked In The Garret’, pois o restante foi composto enquanto ainda morávamos todos na mesma cidade, e podíamos ensaiar todos os finais de semana.

04. “Sky & Earth” é uma boa música, mas a produção peca. Por que inseri - la em “The Garret”?
Gilson:
Após a gravação do EP achamos que este tinha ficado um tanto curto, mesmo para um EP, então incluímos esta música principalmente para preencher esta lacuna. Outro motivo foi que gostamos muito desta composição, e esta gravação havia sido feita e lançada exclusivamente na coletânea “Endless Massacre Vol. I” da Violent Records, então achamos uma pena deixá - la perdida no meio de nossa discografia, apesar da gravação mais tosca, ainda assim acredito que a música esteja bem audível. De qualquer forma fica como uma prévia do debut, já que pretendemos regravá - la para este.
Juliano: A produção não peca, ela está tosca mesmo, mas a gente curte muito ela, foi nossa segunda vez dentro de um estúdio e não conseguimos extrair um bom resultado. Ela será regravada no debut com certeza.

05. Vocês utilizaram baixista e guitarrista contratado. Ao vivo, como fica?
Gilson:
Na verdade o Gerson e o Japa não foram contratados no sentido literal da palavra. Eles faziam parte do line - up normal da banda e resolveram sair somente após a finalização do álbum. Então até na masterização e mixagem existe a influência deles. Foi uma pena a saída deles, mas resolvemos por mútuo acordo que seria melhor para a banda. Hoje seguimos provisoriamente como um trio, já que agora contamos no line - up com o Felipe (Pain Of Soul) nas quatro cordas. Temos ainda a lacuna da presença de um segundo guitarrista e está sendo difícil conseguir um que tenha afinidade com nossa proposta e o mesmo emprenho em levar esta banda adiante.

06. Há algum tempo, li algo sobre vocês enfatizarem a cultura sulista nas músicas. É verdade? Podem comentar?
Gilson:
Bem, primeiramente devo dizer que esta pergunta me pegou de surpresa, pois não existe nada em nossas músicas que sequer fale do Sul ou mesmo do Brasil. Aproveito esta para deixar claro que não fazemos parte deste grupo do Metal do Sul que apoia o separatismo, mantemos distância da mistura entre Metal e política, repudiamos a discriminação que algumas destas crianças têm com o Metal de outras regiões.
Pensando bem, talvez este comentário tenha surgido da participação do Juliano na banda Austhral, da qual era vocalista, esta sim, trata liricamente de histórias do Sul e tem influências musicais do folclore gauchesco, mas também é importante frisar que não é de meu conhecimento que exista uma relação destes com movimento separatista, etc...
Juliano: Realmente, eu fui vocalista do Austhral por dois anos e eles têm uma temática voltada à cultura/folclore do sul do país. Não tem nada a ver com separatismo ou coisa que o valha, o Austhral simplesmente canta o orgulho/admiração por sua terra natal. Gostaria de saber quem escreveu que o Sodamned é separatista (risos).

07. Qual a participação de Gilson Lange na Face The Abyss Records?
Gilson:
Toda, hehehe. Idealizei o selo percebendo que existe uma carência de lançamentos de bandas que tem base fora dos grandes centros urbanos, permanecendo no anonimato, mesmo no underground. Então atualmente eu, juntamente com o apoio de minha esposa Fabiana, fazemos todo o trabalho de lançamentos e distribuição do selo, com ajuda também do Juliano (design) e do Seagal (que faz nossa assessoria de imprensa e divulgação).

08. “The Damned Celebration” é dividido com a Dark Celebration. Quais foram os critérios para a escolha da banda para o split?
Gilson:
Antes do Dark Celebration havia outra banda que havíamos convidado para a divisão deste trabalho. Porém, esta banda teve sérios problemas com o estúdio que estavam gravando, e a resolução deste problema iria demandar bastante tempo. Logicamente, como o nosso trabalho já estava pronto, não poderíamos esperar mais muito tempo para o lançamento. A escolha do Dark Celebration deveu - se principalmente por um show que vi deles na cidade de Curitiba. O som deles me impressionou de forma tamanha que logo comentei com o Juliano sobre a qualidade desta banda. Ainda antes de finalizarmos o EP adquirimos o lançamento deles, “Indicium”, que levou o Juliano a entrar em contato com a banda. Após este contato e da impossibilidade da outra banda em continuar com o projeto do split, não demorou para que eu fizesse o convite para os Dark Celebration, que aceitaram prontamente e acabaram gravando o “Steel Flagellum” exclusivamente para este projeto.
Juliano: Na verdade, eu conhecia um lançamento apenas do Dark Celebration, chamado “Damned Be Thy Name”, e não gostava muito. Quando estivemos em Caxias do Sul para as gravações do ‘The Garret’, o Mateus (Melancholic Art) me deu uma cópia do “Indicium”, e eu quase endoidei ouvindo aquilo, pois achei tudo muito bem tocado, bem gravado, e principalmente, diferente do que as bandas nacionais andavam fazendo. Quando percebemos que o Unleash Hell não poderia estar dividindo o split conosco, logo eu e o Gilson chegamos ao acordo de convidar a Dark Celebration. Essa banda é foda.

09. O cenário extremo do Rio Grande do Sul abre mais espaço que o catarinense?
Gilson:
É o que parece. Na verdade, por pura falta de oportunidade, nunca tocamos no Rio Grande do Sul, mas pelos comentários que chegam a nossos ouvidos, existe um apoio muito maior por parte dos headbangers gaúchos aos shows e bandas mais extremas do que em Santa Catarina. Esperamos conferir in loco a cena gaúcha em breve. E quanto a cena catarinense, talvez agora a situação mude, pois estou vendo uma grande quantidade de novos fãs de Metal extremo crescerem a cada show, e também a quantidade de organizadores destes eventos tem aumentado significativamente.
Juliano: Eu sempre tive essa impressão à respeito do Rio Grande do Sul. Sempre vi ótimas bandas vindas de lá, e todos os amigos que já tocaram lá sempre falaram muito bem da cena gaúcha. Estou em negociação com alguns produtores de lá, e espero que logo possamos estar tocando em terras gaúchas, será uma grande honra para o Sodamned.

10. E quanto ao full - lenght, há previsão?
Gilson:
Estamos começando a pré - produção agora, finalizando as guias e lapidando as composições. Eu espero que até o final deste ano tenhamos começado as gravações para um lançamento em 2009, comemorando também os 10 anos do Sodamned!!

11. Obrigado pelas respostas. Deixamos o espaço aberto para considerações finais.
Gilson:
Agradecemos o espaço no All The Bangers, e parabenizo o site pelo excelente trabalho que tem feito em prol do underground metálico como um todo. Aproveito para convidar a todos a comparecerem aos shows e adquirirem os lançamentos das bandas. Infelizmente o underground não pode viver somente de boa vontade e bons comentários, precisamos do apoio efetivo de todos para o crescimento da cena. Aos que se interessam pelo Sodamned, peço que entrem em contato, ou acessem nosso site www.sodamned.com ou nosso myspace www.myspace.com/sodamned para conhecerem nossas músicas! Fico nessa, grande abraço e Bang ´till Death!
 
Home Page Oficial: www.sodamned.com
 
Por Cristiano "Frank" Gonçalves
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