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Depois
do lançamento do álbum "Choosing The
Live Side", o Liar Symphony acaba de soltar o registro
em vídeo para aquela excepcional apresentação
na cidade de Guarulhos, trata - se do DVD de mesmo nome,
com boas imagens e sem câmeras mirabolantes, a banda
presenteia os fãs com muito feeling, mostrando como
foi aquela reunião no Teatro Nelson Rodrigues, no
dia 02 de dezembro de 2006. Para saber mais sobre o lançamento
e sobre o futuro da banda, batemos um papo com o lider do
grupo, o guitarrista Pedro Esteves. Confiram! |
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01. Salve Pedro!
Salve Liar Symphony! Já tivemos o prazer de entrevistar
a banda no lançamento do CD "Choosing The
Live Side". Então, de lá para cá,
o que mudou na banda?
Pedro Esteves: Bom, depois que o DVD saiu, no
segundo semestre de 2008 nós fizemos alguns shows
de divulgação, dentre eles, alguns acústicos.
Em dezembro, nós demos uma parada para descansar.
Neste momento, estamos trabalhando em material novo para
o próximo CD da banda, que será o nosso
5º álbum de estúdio.
02. Como foi para você
produzir o DVD? Quais as principais dificuldades encontradas,
em relação ao CD?
Pedro Esteves: Fazer um DVD é muito mais
complicado que um CD. Tem um monte de questões
técnicas que dificultam o trabalho, por isso, é
muito mais demorado. A mixagem é diferente, tem
o lance de ajustar o som com a imagem, isso sempre dá
problema na finalização de qualquer DVD,
pois os sistemas de áudio e vídeo são
muito diferentes. Tivemos os extras que foram gravados
meses depois do show e eu ainda acompanhei toda a edição
de vídeo, o que foi muito trabalhoso. Mas no final,
todo o trabalho valeu a pena, nós ficamos muito
satisfeitos com o resultado.
03. Semanas antes da gravação do
DVD, a banda sofre uma baixa importante, com a saida do
baterista Miro. O que realmente ocorreu?
Pedro Esteves: Esse é um assunto muito
delicado. O Miro é como um irmão para nós
e esse foi um dos momentos mais difíceis da nossa
carreira. Vou te contar detalhes agora, que nós
ainda não havíamos comentado em nenhuma
entrevista. Na verdade, já estava certo que o Miro
ia sair da banda algum tempo antes da gravação
do DVD. O problema é que ele estava estudando para
ser piloto de avião e esse é um curso que
exige total dedicação de quem o faz, porque
é muito difícil. Por conta dos shows e outros
compromissos da banda, ele chegou a perder algumas provas
ou, a ir fazê - las depois de tocarmos em outra
cidade, sem dormir e totalmente acabado depois do show.
Isso estava afetando diretamente o seu rendimento no curso.
Juntando isso com alguns outros problemas particulares
dele, nós chegamos à conclusão de
que o melhor era ele se dedicar a isso naquela altura
da sua vida e para que acontecesse, ele teria que largar
a banda na qual ele tocou durante 11 anos, o que convenhamos,
não é nada fácil. No inicio a idéia
era de que ele tocaria com o Liar até o fim do
ano de 2006 e consequentemente gravaria o DVD, o que seria
uma espécie de despedida dele. Mas a situação
ficou insustentável, semanas antes da gravação,
com tudo agendado e todos os ingressos vendidos, nós
percebemos que ou cancelaríamos tudo, ou arrumaríamos
outro baterista para o Liar, porque o Miro estava completamente
focado no seu curso e consequentemente o trabalho do Liar
tinha ficado em segundo plano.
Para a nossa sorte, exatamente
duas semanas antes da gravação do DVD, o
Anderson assumiu as baquetas do Liar e junto com elas,
a responsabilidade de gravar um DVD na sua primeira apresentação
com a banda, tudo isso com apenas dois ensaios. Tudo isso
nos levou a concluir que ele é completamente louco,
um doido varrido HAhaHa! No final, para a nossa alegria,
deu tudo certo, o Anderson deu conta do recado, quebrou
tudo e isso pode ser conferido no DVD. O Anderson é
em minha opinião um dos melhores bateristas de
Heavy Metal deste país.
04. Set List do CD e DVD
são praticamente iguais, mas no DVD temos um medley
para "The Symphony Goes On" e "Black Wish",
para mim, um dos melhores momentos do play. Por que este
medley ficou fora da versão final do CD?
Pedro Esteves: Não
foi só esse medley que ficou de fora. Nós
fizemos um show com mais de duas horas de duração
no dia da gravação. Tem um cover do Iron
Maiden “Flyght Of Icarus” que também não
entrou, ele só foi disponibilizado na Internet.
No DVD além do Medley da "The Symphony Goes
On" e "Black Wish", tem mais 3 músicas
entre as entrevistas que são, "Spirit Machine",
"Slaves Of Tomorrow", e "Soldier´s
Dream" que inclusive contou com a participação
especial do Miro e do Marcos Brandão.
O grande problema é
que um CD só tem no máximo 80 minutos de
duração e não dava para colocar todo
o material, ainda mais que nós colocamos como bônus
a nova versão da "Soldier´s Dream".
Usamos ao máximo o tempo do CD. Também tínhamos
que ter um diferencial entre o Set List do DVD e do CD.
O DVD por ter um tempo maior de duração
tem mais material.
05. Sem firulas e mais delongas.
Para o DVD, voces fizeram muito uso dos overdubs?
Pedro Esteves: Eu acho que fica explícito
para quem entende de áudio que o som do DVD e do
CD são exatamente o que rolou no show. Nós
gravamos o DVD em uma única apresentação
e quem estava presente no show é uma prova viva
do que aconteceu. Nós não fizemos nenhum
truque como repetir música no final do show para
gravar de novo, porque algo deu errado e etc... Isso não
aconteceu. Nós fizemos um show com 2:10 horas de
duração, sem interrupções,
nem repetições. Eu como produtor do trabalho,
fiz questão de deixar o som o mais parecido com
o que rola em um show do Liar Symphony. Se você
prestar atenção vai perceber alguns “errinhos”
que acontecem com freqüência em qualquer show,
nós fizemos questão de deixar isso presente,
porque queríamos o som o mais real possível,
sem “maquiagem”. Para você ter uma idéia,
as três músicas que aparecem nos extras,
estão lá porque houve algum problema com
elas. Por exemplo, a "Slaves Of Tomorrow", no
meio da música houve um problema com o pedal do
bumbo da bateria, então quando eu estava mixando
o áudio eu tinha duas opções, ou
fazia um overdub e colocava a música inteira no
show, ou não a usaríamos. Como já
te disse, nós não queríamos fazer
overdubs, principalmente em um caso desses que ia ficar
muito artificial, então a música foi descartada,
assim como as outras duas que tiveram problemas no som.
Só no final da edição do DVD é
que nós tivemos a idéia de colocá
- las nos extras entre as entrevistas, colocando só
as partes que não tiveram problemas no áudio.
É como eu disse,
quem conhece um pouco de áudio sabe que não
há overdubs, o som é o som real de um show
e não como a maioria dos DVDs hoje em dia que são
quase um “karaokê” de tão editados que são.
Isso é ridículo, é como chamar os
fãs de idiotas quando eles assistem o DVD da sua
banda preferida achando que ta um puta som e na verdade
é tudo mentira.
06. Sem sombras de dúvidas, estamos diante
de uma das melhores bandas de Heavy Metal do Brasil. A
que você atribui a dificuldade de se ganhar dinheiro
com Heavy Metal em nosso pais, visto que temos muito público
consumindo este tipo de música.
Pedro Esteves: O problema não é
só ganhar dinheiro, o problema é muito mais
amplo que isso. Aqui não tem nenhuma infra - estrutura,
as bandas têm que fazer tudo na raça sem
apoio nenhum. Chega a ser uma falta de respeito à
forma como as bandas de Metal são tratadas pelos
meios de comunicação, produtores de eventos
e todas as áreas ligadas à música
nesse país. É muito desestimulante fazer
Metal no Brasil, você é tratado como um marginal,
por isso tantas bandas boas desse estilo acabam, simplesmente
porque cansaram de dar murro em ponta de faca. Se tivéssemos
a estrutura necessária, o Brasil seria sem sombra
de dúvida um dos maiores representantes do Metal
mundial, pois temos aqui muitas bandas de altíssimo
nível, que não devem nada para os gringos,
mas a maioria delas, acaba por total falta de apoio. É
frustrante tocar Metal no Brasil, nós mesmos somos
muito mais respeitados na Europa e Japão, do que
aqui, que é o nosso país.
07. O preconceito com as bandas nacionais é
algo presente nos dias atuais, visto que muito bangers
pagam horrores por shows internacionais e não pagam
nem R$ 10,00 por um show nacional, muito superior a de
uma banda gringa. O que você pensa sobre esta realidade?
Pedro Esteves: É como eu disse anteriormente,
nós mesmos passamos por isso. Nós somos
muito mais respeitados em outros países do que
aqui no Brasil. Aqui tem um sério problema cultural,
o brasileiro foi criado com essa cultura, de que tudo
que é importado é melhor. Não é
só na música, em outras áreas também
é assim, por exemplo, o jogador de futebol que
joga em outro país, é muito melhor que aquele
que joga no Brasil, é isso que o povo acha, infelizmente.
Se há uma coisa que o brasileiro tem que aprender
com os gringos, é ser patriota. Em qualquer país
que tem um terço do tamanho do Brasil, as pessoas
defendem o seu país e a sua cultura. Já
no Brasil não, tudo que é de fora é
bem melhor!
Não vamos ser hipócritas,
é lógico que as bandas gringas são
muito foda, eu mesmo as curto, mas porra, aqui tem muita
banda que ta no mesmo nível e tem que se sujeitar
sempre a condições ridículas para
sobreviver, isso é muito desanimador. Aquele velho
ditado “santo de casa não faz milagre” parece que
é muito bem aceito por aqui, isso é uma
pena.
08. Em relação
a pirataria, qual sua opinião? Vocês ainda
seguem com a Encore Records?
Pedro Esteves: Eu tenho uma opinião muito
polêmica sobre esse assunto. Para mim, a pirataria
só tem um culpado, são as próprias
gravadoras que durante anos e anos abusaram dos preços
dos CDs. É um absurdo um CD custar R$: 25,00 ou
30,00, que era preço médio que eram vendidos
os CDs nacionais. Isso é um assalto para um cara
que ganha um salário mínimo, por exemplo.
Quem é do meio, sabe que os CDs poderiam ser vendidos
“muito” mais baratos, mesmo assim, as gravadoras ganhariam
muito dinheiro, mas a ganância é uma merda,
por causa dela hoje estamos em uma situação
muito complicada. Eu não sei te dizer qual será
o futuro da indústria fonográfica, as gravadoras
estão quebrando, não se vende nem 30% do
que vendia cinco anos atrás. É uma incógnita
o que vai acontecer daqui para frente, até as bandas
“grandes” então encontrando dificuldades para trabalhar.
Uma coisa é fato, o download de MP3 pela Internet
é algo irreversível, o mercado vai ter que,
de uma forma ou outra se adaptar a essa nova realidade.
Quanto a Encore, nós
temos um relacionamento muito bom com eles. Nós
lançamos um CD de estúdio, um ao vivo e
o DVD pela Encore Records. Somos muito gratos a eles por
terem acreditado no nosso trabalho e apostado nesses lançamentos.
Nós não temos nenhum contrato que nos prenda
á gravadora para um próximo lançamento,
então eu não sei se o próximo CD
do Liar Symphony sairá pela Encore, isso dependerá
de muitos fatores que serão levados em consideração
na época do lançamento.
09. Atualmente, que bandas vem chamando sua atenção
no Brasil e no exterior?
Pedro Esteves: Tem muita banda boa por aí,
tanto no Brasil como lá fora. De bandas novas nacionais
tem o Warpride, eu acabei de finalizar o CD deles há
pouco tempo atrás e para mim, é uma banda
muito promissora, eles têm um trabalho muito legal
e em minha opinião ainda vão dar o que falar.
Tem aquelas que já são meio consagradas
como o Hangar e o Almah, que lançaram CDs novos
recentemente e foram matadores. Lá fora tem muita
coisa legal também que eu ouvi ultimamente, mas
não é nada “novo”. Outro dia eu ouvi o Disturbed,
banda que até então eu não conhecia
e achei animal, os caras têm muita personalidade
no som. Tem o Gotthard que eu gosto muito também,
enfim tem muita banda quebrando tudo por aí, é
tanta banda que fica até meio difícil se
manter atualizado.
10. Você é proprietário de
um estúdio em São Paulo. A quantos anda
seu estúdio? Você produz bandas de outros
estilos musicais?
Pedro Esteves: É verdade eu estou trabalhando
com o Masterpiece Digital Studio desde 2004, venho fazendo
um trabalho bem legal lá. O álbum "Choose
Your Side" do Liar Symphony, foi inteiramente produzido
lá e o áudio do CD e DVD ao vivo foi mixado
e masterizado lá por mim também. Trabalhar
como produtor é uma das coisas que mais me dá
prazer hoje em dia, é algo que realmente eu curto
fazer. Eu vim me preparando durante anos para trabalhar
com isso, desde 2004 quando inaugurei o estúdio,
eu estou trabalhando ativamente como produtor musical.
O meu trabalho é especializado no Heavy Metal em
geral, abrangendo desde o Hard até o Metal mais
extremo. Por esse motivo, o meu estúdio é
especializado nessa área, portanto não trabalhamos
com outro tipo de música, não por preconceito,
mas por uma questão ética, porque a minha
área é o Metal e disso eu entendo, já
dos outros estilos, eu não posso dizer o mesmo,
então não seria honesto da minha parte trabalhar
com estilos musicais com os quais eu não tenho
intimidade e não domino.
Tenho feito muitos trabalhos
legais no Masterpiece, produzi o Warpride, que é
uma banda de Power Melódico que lançará
o seu primeiro CD em breve, produzi o primeiro e estou
produzindo neste momento o segundo CD do Anarkhon, banda
de Splater animal que ta fazendo um puta sucesso pelo
mundo afora. Estou produzindo algumas bandas novas muito
promissoras, que lançarão seus primeiros
trabalhos em breve. Masterizei o último CD do Burning
In Hell, do Marcelo Moreira, que hoje é batera
do Almah, entre outros. Como eu disse, estamos fazendo
um trabalho bem legal e específico na área
do Metal. Inclusive quem quiser conhecer o estúdio,
ou entrar em contato, no site oficial do Liar tem um link
do Masterpiece na página principal. Cliquem lá
e entrem em contato.
11. Pedro, você é um cara que conhece
por demais seu instrumento, detonando em ótimos
solos e riffs e uma das coisas que mais gosto em seu estilo
de tocar, é que você timbra muito bem sua
guitarra, alia a técnica com a simplicidade de
uma forma muito natural. Você tem planos para um
disco solo?
Pedro Esteves: Obrigado pelos elogios! Cara,
se você soubesse como eu já fui cobrado disso!
Quando lançamos o "Affair Of Honour"
em 2000, a própria Megahard, que era nossa gravadora
na época, chegou a discutir comigo essa possibilidade,
porque eu tinha saído na Young Guitar Japonesa
e tinha recebido muitos elogios a respeito do meu trabalho,
mas nunca deu certo, mais pela minha parte. O problema
é que eu não curto muito musica instrumental.
Definitivamente, esse não é o tipo de música
que eu ouço, pois eu acho chato demais. Então
eu venho enrolando esses anos todos, mas um dia quem sabe,
acho que não vai ter saída.
Eu tenho alguns projetos
paralelos ao Liar, mas são projetos que serão
colocados em prática gradativamente. Eu terminei
há poucos meses o meu primeiro CD solo. Na verdade
é um CD em que eu gravei todos os instrumentos
e a voz e que conta com o Anderson Alarça, do Liar
Symphony na bateria. É um CD mais na praia do Hard,
é bem diferente do Liar e como eu o terminei recentemente,
eu ainda estou estudando o que vou fazer com ele. Estou
neste momento finalizando a arte gráfica e os últimos
detalhes. Em breve deverá sair algo, vamos aguardar.
12. Quais os planos para o futuro do Liar Symphony?
Pedro Esteves: Nós estamos neste momento,
totalmente concentrados no novo álbum. Começamos
a trabalhar esse ano totalmente focado no novo trabalho
do Liar Symphony. Nós nem estamos fazendo shows
no momento para podermos nos dedicar inteiramente a esse
novo álbum. Nós deveremos iniciar as gravações
no segundo semestre e se tudo der certo, o CD deverá
sair entre o final desse ano e o começo do ano
que vem. Estamos trabalhando nas composições,
ensaiando o material novo e posso te dizer que está
ficando matador, podem esperar um trabalho extremamente
pesado e de altíssima qualidade.
13. Muito obrigado pela entrevista e obrigado
pelo excelente DVD. O espaço é seu:
Pedro Esteves: Eu é que agradeço.
Obrigado por nos abrir o espaço no All The Bangers
novamente.
Abraço. Valeu a força!
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