Recentemente, o cenário catarinense teve a boa notícia do retorno da Khrophus, banda de Death Metal que ganhou destaque em 2003, período em que lançou o debut. Da formação original, ficou apenas Adriano Ribeiro, guitarrista que respondeu a entrevista. Porém, a proposta sonora é a mesma. Confira as respostas abaixo.

 
01. Saudações. Antes de começarmos com as perguntas, informamos que foi uma surpresa agradável saber que a Khrophus retornou ao cenário metálico catarinense. Como é nossa primeira entrevista, vamos partir do princípio. Em qual situação a Darkness foi criada e por que não houve registro de estúdio (demo)?
Adriano Ribeiro:
Então, montamos a Darkness em 06/06/1993, e vou deixar bem claro aqui, que desde o primeiro dia eu queria que o nome fosse Khrophus, mas como tinham mais dois integrantes (meu irmão, Júnior/Nata, no baixo e vocal, e o Uruguaio Pablo, na bateria) e eles queriam esse nome, prevaleceu a maioria. Mas chegamos a gravar uma Demo - Tape (caseira) nesse período, chamada “Khrophus”, com cinco músicas e umas destas, se chamava Khrophus. Nesse período éramos iniciantes e nosso estilo era o Death/Thrash.

02. Quais as diferenças sonoras entre Darkness e Khrophus?
Adriano Ribeiro:
Na Darkness passamos por um período conturbado, com várias mudanças de formação. Em 1997 o meu irmão, Júnior, decidiu sair. O engraçado é que no dia que ele saiu, o meu outro irmão, Kennedy (bateria), que ia a todos os shows como nosso roadie, entrou na banda. Por pouco não viramos um trio de irmãos. A partir desse momento eu pude finalmente colocar o nome que eu queria, passando de Darkness para Khrophus. Logo chamamos o Sandro (baixo) e o Guilherme (vocal), e a coisa mudou muito. Passamos a fazer um som bem mais brutal e trabalhado, o que já pode ser visto na nossa Demo - Tape, “Tribulations”, que abriu muitas portas e começamos a rodar o Sul e Sudeste do país, e também tocamos no Paraguai e Uruguai. Então, acho que a principal diferença seria o amadurecimento, mas deixo claro aqui que não existe duas bandas, apenas ouve uma mudança de nome e integrantes, coisas que ocorrem até em mega - bandas como o Kiss, por exemplo. (Antes se chamava Wicked Lester – fonte: Rodie Crew nº 111 de Abril/2008 – página 20).

03. Quanto ao nome Khrophus, de onde surgiu? Há algum significado?
Adriano Ribeiro:
Eu criei esse nome em 1993, letra por letra. Eu escrevi uma história de um guerreiro imortal que combatia os excessos do bem e do mal (coisa de jovem) e chamei esse guerreiro de Khrophus.

04. Quando a Khrophus surgiu, quais eram as influências? E hoje, o que serve de referência?
Adriano Ribeiro:
Quando começamos em 1993, nós vivíamos um período mágico, onde começava a despontar as grandes bandas de um estilo underground e pesado, totalmente marginalizado pela dita “sociedade”. Praticamente o mesmo, que décadas antes tinha passado o Rock And Roll, tirando as devidas proporções é lógico. Nossas influências eram Sarcófago, Possessed, Morbid Angel, Deicide, Megadeth, etc. Atualmente, as influências são as mais diversas, pois, sempre ouvimos muitas bandas, e mesmo que não hajam de forma direta, sempre acabam nos influenciando. O bom que hoje, temos uma sonoridade e estilo próprio, mas as influências estão lá.

05. A Khrophus sempre recebeu elogios e em 2003, parecia ser uma banda que caminhava para o reconhecimento nacional. Quais fatores resultaram no encerramento das atividades?
Adriano Ribeiro:
Essa pergunta é muito boa. Tínhamos acabado de lançar um CD “God From The Dead Images”, que custou muito a sair. Ficamos com ele empacado por diversos motivos por quase dois anos, e quando conseguimos lançá - lo de forma independente, no primeiro mês vendemos cerca de 600 cópias, devido ao acúmulo de pedidos. Mas causou certo impacto na cena, e por isso as oportunidades começaram a aumentar e recebemos tantos convites, que chegamos até a fazer dois shows num mesmo dia em cidades diferentes. Mas, por causa disso, começamos a perceber que existiam outras coisas em relação a uma banda que não remetem diretamente aos shows. Tem o lance de família, emprego, e como todos sabem, viver de música no Brasil é para quase ninguém. Mas o que realmente causou a pausa da banda foi um problema de tendinite que tive no meu ombro e braço direito, que me impossibilitou de tocar por dois anos, devido ao fato de ensaiarmos todos os dias. Tive que mudar minha forma de tocar, as palhetadas, fazer exercícios de aquecimento e alongamento, etc. Mas agora estou bem melhor, fazemos apenas dois ensaios por semana e me controlo bastante para não voltar a ter esse problema novamente.

06. Quanto ao retorno, o que impossibilitou a reunião dos membros que gravaram o debut?
Adriano Ribeiro:
Eu falei com cada um deles, todos apresentaram seus motivos de que não poderiam estar atuantes nessa nova fase da banda. Aceitei a decisão deles, aí percebi que teria que buscar novos integrantes.

07. A sonoridade de vocês exige muito dos integrantes. Como chegaram à atual formação?
Adriano Ribeiro:
Meu modo de composição é um pouco diferente do convencional, as contagens de tempo são quebradas e meio “loucas”, portanto, precisaria encontrar músicos que além de gostar do som entendessem a sonoridade da Khrophus. Tive muita sorte em encontrar dois grandes músicos dedicados, que trouxeram um espírito novo à banda. Para o baixo/vocal, chamei o Alex Pazetto (Vulkro e para a bateria, o Carlos Fernandes (ex - Brutal Butchery). Eles são muito importantes para a banda nessa nova fase e confio plenamente neles.

08. O baixista e vocalista Alex também toca na Vulkro. Não é complicado conciliar a agenda de ambas as bandas?
Adriano Ribeiro:
Eu até cheguei a pensar por um momento que poderia ser complicado, mas, muito pelo contrário, está super tranqüilo.

09. Percebemos que em 2007 e 2008, a Khrophus tem feito uma grande quantidade de shows. Como está a aceitação por parte do público?
Adriano Ribeiro:
Sim, nossa agenda está cheia. A aceitação não poderia ser melhor, as pessoas vêm falar com a gente depois dos shows e demonstram isso plenamente, o que nos incentiva e muito. Confesso que no início ficamos meio com receio se os antigos fãs aprovariam a nova formação, e pelo que vimos e ouvimos, a reação foi muito acima de nossas expectativas, nos surpreendendo. Temos 15 anos de história, e isso pesa muito. A cobrança também é grande por causa disso, e temos que dar o máximo para estar lançando bons trabalhos e nos dedicar integralmente à banda.

10. “Symbols From Death” é o registro mais recente e conta com duas faixas. Há previsão para um álbum?
Adriano Ribeiro:
Lançamos esse EP “Symbols From Death” para primeiramente apresentar a nova formação, e também como prévia do próximo CD, o qual já marcamos o início das gravações para Novembro/2008, e temos a previsão de estar lançando no 1º semestre de 2009.

11. Depois de muitos anos no cenário, quais as principais diferenças observadas entre o underground de 1993 e o atual?
Adriano Ribeiro:
Acompanho o crescimento da cena catarinense desde o fim dos anos 80, e posso dizer com toda certeza que o cenário está na sua melhor atuação. O nosso Estado é bem diversificado, têm oportunidade e espaços para vários estilos undergrounds. Tenho certeza que as principais diferenças daquela época para a atual são os equipamentos (instrumentos e sonorização), a mudança de consciência pelos proprietários de locais para eventos, que hoje em dia dão mais oportunidade ao rock e metal em geral, e os produtores de eventos, que naquela época contava - se nos dedos e hoje devido ao crescimento do número de habitantes das cidades estão em todos os lugares, entre outras coisas que faltaria espaço aqui para estar enumerando.

12. Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço aberto para as considerações finais. Grande abraço.
Adriano Ribeiro:
Nós é que temos que agradecer a você Frank e ao ALL THE BANGERS WEBZINE pelo espaço cedido. Também gostaríamos de agradecer as pessoas que sempre nos incentivaram e ao público, bandas e produtores em geral. Aproveito para avisar que estamos preparando extensa tour pelo país e exterior para 2009 e 2010, assim que o novo CD sair, e os produtores que quiserem entrar em contato para agendar datas ou saberem mais informações a respeito do nosso trabalho podem fazê - lo por meio dos seguintes endereços:

E - Mail: khrophus@khrophus.com
R: Adão Schmidt, 31 (lado do nº 1.730) – Barreiros – São José/SC – CEP 88.117-261.
Fones: (0xx48) 3240 - 5450 (à noite) ou (0xx48) 9102-7057
A/C Adriano Ribeiro

Um grande abraço, muito obrigado novamente pela oportunidade e até a próxima.
 
Home Page Oficial: www.khrophus.com
 
Por Cristiano "Frank" Gonçalves
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