01.
Quando e como começou a tua relação
com o baixo?
Igor: Eu comecei a me interessar por música
em geral quando vi pela primeira vez, em VHS’ s, antigos
shows de bandas como Iron Maiden, KISS, Aerosmith e outras.
Isso deve ter sido em 1995, por aí, mas desde criança,
eu costumava a sentir o “groove” das músicas e acompanhar
a bateria com os dedos da mão direita... Um fato
curioso que me “ajudou” depois de alguns anos. Mas o interesse
pelo contrabaixo surgiu mesmo com força quando eu
conheci e vi meu grande ídolo do passado tocando:
trata - se de Gene Simmons. A partir daí, eu me arrisquei
a “arranhar” a antiga guitarra do meu pai, tocando - a como
um baixo; logo após disso, fiz “arte” nela e transformei
- a num baixo improvisado. Vendo minha vontade de tocar
o instrumento, meu pai me deu, finalmente, um baixo, antes
que eu fizesse arte no resto da casa... Isso aconteceu em
1997.
02. Na Metal Jam, a proposta musical é voltada
ao Prog. Em teu trabalho solo, como defines o direcionamento
musical?
Igor: Meu projeto solo sempre foi focado em “misturas”,
mas baseado no rock. Soa mais como o “fusion”, isto é,
a mescla entre a energia do rock, o “sotaque” blues e um
pouco de jazz. Na verdade, eu não costumo me prender
a um estilo pré - definido, um rótulo só,
eu deixo fluir para ser o mais natural possível,
nada forçado. Isso é bem notado neste meu
primeiro CD, mas os próximos eu procurarei explorar
outras vertentes – mas sempre baseado no “fusion”.
03. No Covernation, tiveste destaque interpretando
Dream Theater. Além de John Myung, quais tuas influências?
Igor: Sim, é verdade... Até hoje
as pessoas se lembram deste programa, que foi ao ar em 2005.
Na verdade, aquele programa foi meio “no susto”, tanto a
participação como os ensaios e a preparação
para o programa. “Baixisticamente” falando, minhas influências
são até poucas: Zuzo Moussawer, John Myung
(não tão presente hoje em dia), e, recentemente
Alain Caron e Michael Manring são os baixistas que
me prendem na hora de ouvir ou ver algo. Musicalmente, eu
sou bem influenciado: curto muito o som “Hard Rock” dos
anos 80/90, como Firehouse, Skid Row e Mr Big; da mesma
época, já na praia instrumental, Joe Satriani
é a maior influência, procuro seguir a musicalidade
que transborda em seus CD’ s e ficam mais em evidência
do que somente sua técnica, e Steve Vai segue a mesma
linha, mas explorando coisas mais “diferentes”. Eu tento
fazer o mesmo no baixo.
04. O que te levou a largar a Metal Jam e investir
em trabalho solo?
Igor: Na verdade essa história é
meio chata de ser comentada. Eu não larguei a banda,
na verdade eu pretendia seguir com a banda, mas não
da maneira em que estavam sendo certas coisas. Na época
em que optaram pela minha saída, eu já não
estava tão feliz com essas coisas, mas continuei,
pois procuro honrar meus compromissos, mesmo eles não
sendo tão satisfatórios para mim. Em resumo,
eu preferi investir integralmente (tanto em tempo como financeiramente)
no meu projeto solo, pois pessoalmente ele pode me render
mais frutos do que na banda.
05. Percebemos em “Crossing The Skies” que tocas
diversos instrumentos. Quais tuas aptidões?
Igor: Na verdade, foi por necessidade que eu toquei
outros instrumentos, como guitarra, violões e teclados.
Eu não possuo uma técnica muito apurada nesses
instrumentos, na verdade não dá pra dizer
que os “toco”, mas pela necessidade (falta de quem pudesse
fazer o trabalho para mim, falta de grana para pagar músicos,
etc) eu acabei me arriscando. Foi difícil, mas, como
eu gravei o CD em casa, não tive a preocupação
de falta de tempo. Então, pude gravar com tranqüilidade,
tanto é que este CD demorou quase um ano entre regravações
dos instrumentos e a gravação de novas composições.
06. Como chegaste no line - up que participou do
álbum?
Igor: Através de contatos pela internet,
como o Orkut, pude contatar diversos instrumentistas pelo
Brasil afora. Como algumas composições foram
surgindo de forma “meteórica”, já com praticamente
todos os elementos (solos de X instrumento, por exemplo),
eu tive de contatar esses músicos, pois não
daria para eu gravar sozinho. Desta forma, encontrei o grande
saxofonista Marcos Pessoa, e também o Nenê
Santos. Com o Marcos De Ros, o contato foi por E - Mail,
ele se dispôs prontamente a me fazer o solo na música
“Mediterranean Ground”. Já os outros músicos,
eram amigos que eu pude contatar pessoalmente, aí
ficou mais fácil. Mas, basicamente, todos os contatos
foram feitos pela Internet. E, o que é melhor, nenhum
cobrou nada, fizeram por amizade, e, com isso, fiz grandes
amigos.
07. A temática do álbum está
relacionada à aviação. Podes nos dar
detalhes sobre esta relação?
Igor: Essa é uma história interessante...
No ano passado, meu irmão mais velho ficou noivo
e teve o jantar de noivado – hoje, ele é casado.
Nesta viagem, eu fui com meu outro irmão, e estavam
rolando CDs do Joe Satriani durante a viagem. Por um momento,
aquele CD (“Strange Beautyful Music”) fez parte da “minha”
trilha sonora para aquela viagem. Sendo assim, achei interessante
fazer um disco onde ele fosse trilha para a “viagem” de
alguém – que tanto pode ser uma viagem real, como
uma viagem imaginária, onde passa um “filme” na mente
do ouvinte. A relação com a aviação
é justamente para facilitar essa “viagem” e suas
escalas até o destino, e o desfecho, onde o ouvinte
pode “escolher” o final, já que NÃO TEM propriamente
um final... este é o primeiro CD de uma provável
trilogia, onde eu tentarei “contar” três tipos/partes
dessa viagem. Mas não tem nada inteiramente composto
ainda. A idéia do uso da aviação se
deu também por minha mulher ser comissária,
uma coisa puxou a outra e resultou neste CD conceitual.
08. Percebemos que o CD saiu em formato gravável,
porém, estampado. O que te impediu de lançá
- lo através de uma assessoria fonográfica
ou mesmo em SMD?
Igor: Eu não tenho grandes recursos financeiros
para investir, pelo menos até agora não. Dessa
forma, a única maneira viável para ter o trabalho
em “formato físico” foi fazer pequenas tiragens,
que se chama duplicação. Os CDs ficam com
aparência profissional, mas são feitos em CD
- R printable, isto é, com o rótulo “imprimível”
no jato de tinta. A vantagem é que podemos ter um
rótulo com qualidade fotográfica, e também
a vantagem de poder tirar pequenas quantidades (100, em
vez de 1000, por exemplo), e a cada “esgotamento do estoque”
ficar mais viável de refazer, tirando mais 100 ou
200 cópias, e assim seguindo, impedindo que eu fique
com muitos CD’ s na mão e “um rombo”, financeiramente
falando. Fica mais barato também, pois o preço
é cotado por unidade, e não por quantias de
1000, como é feito no SMD e outras empresas que fazem
prensagem. Eu ainda não tive respostas sobre parceria
para lançar o CD em larga escala, mas está
em aberto.
09. Atualmente, que instrumentos utilizas? És
patrocinado por alguma empresa?
Igor: Eu não sou patrocinado por nenhuma
empresa do meio musical, nem de outra área, ainda.
Uso instrumentos hand - made, feitos à mão
e idealizados por mim. O meu baixo “fretted” (com trastes)
é um modelo próprio de 6 cordas com 29 trastes.
Apesar de ter 6 cordas, com 29 trastes eu alcanço
a nota fá na 5ª oitava, como num baixo de 7
cordas. Já o fretless foi feito por mim a partir
de um braço de um baixo Ibanez, juntei com um corpo
de mogno que eu tinha aqui, fiz os devidos ajustes, fiz
uma ponte de ipê e ... Feito!
10. Há possibilidades de uma turnê?
Qual seria tua banda de apoio?
Igor: Sim, estou viabilizando essa idéia.
O grande impasse é arrumar músicos para tocar
tudo, na íntegra e com perfeição, as
músicas do CD. Como há muita orquestração,
metais, solos de sax e os arranjos têm muitos instrumentos,
necessito de uma “super banda” com vários músicos.
Está praticamente pronta, e, em breve, estarei excursionando
pelo país, divulgando meu trabalho. Está tudo
sendo encaminhado.
11. Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço
aberto para as considerações finais. Grande
abraço.
Igor: Agradeço
pelo espaço cedido aqui neste webzine e a todos que
curtem o meu trabalho. Espero levar este projeto à
todos os cantos do país e também mundo afora,
acredito que sou mais um músico que pode somar com
tantos outros do Brasil, para fazer do nosso país
e a nossa música a mais rica do mundo. Espero também
que todos aqueles que forem procurar conhecer mais o meu
trabalho a partir dessa entrevista curtam o som ! Muito
obrigado ! |