01.
Saudações. Antes de começarmos com
as perguntas, parabéns pelo lançamento de
“Heroes Of Tomorrow”. Como surgiu a Hellish War?
Daniel Person: O Hellish War nasceu em 1995, inicialmente
como um power trio, comandado pelo Vulcano, guitarrista
da banda até hoje. A sonoridade do Hellish War sempre
foi voltada ao Heavy Metal tradicional com influências
oitentistas, e essa é a proposta principal da banda.
02. Mudanças de formação sempre
são prejudiciais. A Hellish War já passou
por isto ou o line - up é estável?
Daniel Person: O Hellish War está com o
line - up estável há mais de 7 anos, o que
é um tempo considerável. As últimas
mudanças aconteceram logo após o lançamento
do debut “Defender Of Metal”, quando o baixista J.R. e eu
entramos na banda. Acho natural que uma banda passe por
mudanças de formação, principalmente
quando estão no início de carreira, já
que realmente não é fácil encontrar
músicos que tenham objetivos em comum e que se dêem
bem. Assim, não vejo mudanças de formação
como algo necessariamente prejudicial para uma banda. Mas
entendo o que quer dizer, nenhuma banda espera passar por
mudanças de formação. No entanto, muitas
vezes essas mudanças são necessárias
para que uma banda possa alçar vôos mais altos.
Acho que os fãs que têm nos acompanhado ao
longo de todos esses anos em nossos shows puderam notar
a evolução do Hellish War nesse período,
justamente pelo entrosamento que adquirimos neste tempo
todo.
03. Não conhecemos o debut, mas o segundo
registro é excelente. Quais as diferenças
observadas entre ambos?
Daniel Person: Que bom que curtiu o novo play!!
A principal diferença entre os dois álbuns
é que “Heroes Of Tomorrow” é um trabalho mais
lapidado, houve um cuidado maior tanto em sua produção
quanto na execução de cada música.
Embora o debut “Defender Of Metal” tenha músicas
excelentes, vejo o novo álbum como um trabalho mais
coeso, provavelmente fruto destes 7 anos sem mudanças
de formação. Além disso, esse longo
período sem lançar um novo álbum (que
aconteceu devido a problemas com nossa antiga gravadora)
nos permitiu tirar o máximo de cada música,
em termos de arranjos e melodias. O engraçado disso
é que alguns dos sons de “Heroes Of Tomorrow” são
músicas já bastante conhecidas pelo nosso
público, pois já temos tocado algumas delas
em nossos shows há anos! Finalmente, agora temos
o registro oficial delas.
04. Músicas como “Die For Glory”, “Metal
Forever” e “Son Of The King” apresentam títulos clássicos
dentro do Heavy Metal. Alguns mal intencionados não
podem julgar isto como clichê?
Daniel Person: Sempre existirão mal intencionados
prontos para apontarem defeitos em qualquer banda, isso
é normal e já não nos incomoda. Do
Metal melódico ao Black Metal, todos as vertentes
do Heavy Metal têm suas temáticas mais recorrentes,
e existe público para todas elas. E realmente não
dá pra esperar que o Hellish War faça letras
falando sobre os políticos corruptos do país,
por exemplo, pois não achamos que este seja um tema
que se encaixe à nossa proposta musical. E isso não
quer dizer que nossas letras sejam vazias. Quem comparar
as letras de nosso debut com as do novo álbum já
poderá perceber que houve uma evolução
também, embora a temática em alguns casos
seja semelhante.
05. Quais foram e quais são as influências
da Hellish War?
Daniel Person: As principais influências
do Hellish War são as bandas de Heavy Metal oitentista.
Algumas pessoas já vieram nos dizer que o novo álbum
simplesmente soa como “Hellish War” e não como qualquer
outra banda específica, e isso realmente é
muito bom! Ficamos felizes por ter conseguido criar uma
identidade, na visão do público. Pessoalmente,
se eu tivesse que citar duas bandas como referências
ao som do Hellish War, diria que estas bandas são
Iron Maiden e Running Wild. Em termos de influências
individuais, elas caminham por quase todas as vertentes
do Heavy Metal.
06. O álbum saiu como independente por opção
ou por falta de reconhecimento? Ainda é vantagem
tem um selo?
Daniel Person: O álbum saiu independente
por opção. Tivemos diversas propostas de gravadoras,
inclusives internacionais, no entanto, as condições
não eram vantajosas para a banda. O mercado fonográfico
realmente está passando por um período de
grandes mudanças e as gravadoras não contam
com a mesma estrutura que possuiam antigamente. Os lançamentos
independentes tendem a ganhar cada vez mais força
nos próximos anos e grande parte das gravadoras estão
com seus dias contados. Estamos muito satisfeitos com a
escolha que fizemos, e já estamos negociando licenciamentos
do novo álbum no exterior. Aqui no Brasil, estamos
apenas fechando acordos de distribuição. A
Voice Music está comandando a distribuição
do álbum por aqui.
07. O nível técnico e a criatividade
de vocês são excelentes. Houve conhecimento
acadêmico ou são autodidatas?
Daniel Person: Obrigado cara! Embora alguns de
nós tenham tido algumas aulas, nenhum dos músicos
do Hellish War possui uma formação acadêmica
musical extensa. Acho que acabamos aprendendo mais na estrada
mesmo, com a rotina de shows e ouvindo muito os CD’ s e
LP’ s das bandas que sempre curtimos.
08. Na maior parte das bandas nacionais, os integrantes
exercem atividades paralelas à música. Como
isto funciona com a Hellish War?
Daniel Person: Todos nós exercemos atividade
paralelas também, realmente viver apenas tocando
Heavy Metal é complicado. E essas atividades paralelas
foram fundamentais pra que o novo álbum saísse
na qualidade desejada, pois não tivemos nenhum tipo
de patrocinador pra pagar os custos com gravações,
prensagens, divulgação, etc. Tivemos que suar
mesmo, e com a grana dessas atividades paralelas, pudemos
investir no Hellish War.
09. A produção do segundo álbum
apresenta ótima qualidade. Como foi o processo, das
composições até a prensagem do material?
Daniel Person: Também ficamos satisfeitos
com a produção do álbum, tenho dito
que “Heroes Of Tomorrow” é um álbum de Heavy
Metal oitentista com produção contemporânea.
Entramos no estúdio já com todas as músicas
prontas, então era basicamente reproduzir em estúdio
aquilo que já vínhamos tocando ao vivo e nos
ensaios. Sempre acabam rolando algumas novas idéias
em estúdio também, o Vulcano por exemplo deve
ter modificado os solos de pelo menos umas 7 músicas
durante as gravações, hahahah! Tinham solos
que já estavam animais, aí ele insistia que
queria mudar e então chegava com um negocio melhor
ainda. Então tudo bem!
As gravações aconteceram no estúdio
Sincopa, em Campinas, que conta com uma estrutura excelente.
10. Nós agradecemos pelas respostas, deixamos
o espaço aberto para as considerações
finais e esperamos que a Hellish War receba o devido reconhecimento
por este trabalho.
Daniel Person: Muito obrigado por essa oportunidade
Cristiano, convidamos você e “All The Bangers” a assistirem
a um show do Hellish War, oportunidades não vão
faltar! Acessem nosso MySpace, site e comunidade no Orkut
para saberem sobre as novidades, que serão muitas
ao longo do ano! Obrigado mais uma vez, METAL STILL BURNS!!! |