Se existe uma coisa que não iremos falar sobre esse quinteto, é que eles não possuem personalidade, pois uma banda que consegue em único trabalho, unir ora Heavy Metal com pitadas de Thrash, ora Thrash Metal vigoroso com passagens de Prog Metal, e mesmo com isso não se parecer como uma mera cópia de outro já é um ponto positivo pro grupo. E se além de tudo isso ainda, o Dynahead possuir músicos muito acima da média, só isso seria possível pra gabaritar o grupo ao sucesso? Para saber mais sobre esta banda, batemos um papo com Caio Duarte, vocalista do Dynahead. Segue abaixo:

 
01. Primeiramente conte-nos um pouco da trajetória do DYNAHEAD, como surgiu a idéia de se fazer à banda, conceito, musicalidade etc. E como foi pra passar da época de banda demo até o primeiro CD?
Caio Duarte:
Olá Wellington, muito obrigado pelo convite! A banda começou de uma forma muito natural, eu e o Diego (baixista) sempre quisemos tocar juntos e fazer um som com a nossa cara. Conforme a banda foi se montando, nossa musicalidade se moldou sem que planejássemos muita coisa, simplesmente fazíamos o tipo de música que tínhamos vontade de fazer... E saiu isso aí! (risos) Quanto a gravar o primeiro disco, era algo que procurávamos há algum tempo, pois sempre acreditamos que nossa música merecia uma apresentação apropriada.

02. Como foi pra vocês já com o primeiro trabalho obter um reconhecimento tão grande da mídia nacional, com resenhas extremamentes positivas? Isso criou em vocês uma responsabilidade maior, pra shows ao vivo, ou novos trabalhos?
Caio Duarte:
Naturalmente! Mas essa responsabilidade é muito importante, pois é ela quem empurra as coisas para a frente, faz a banda não ter medo de experimentar e dar o próximo passo musicalmente. Mas, para ser sincero, essa receptividade era algo que não esperávamos... Creio que nossa insegurança acaba sendo maior pois nosso som é algo experimental, diferente, e todos sabemos que o público de Metal tem a fama de ser conservador. Para nossa agradável surpresa, imensa maioria das pessoas curtiu o trabalho!

03. Nesse debut (Antigen) qual foi a principal dificuldade encontrada pela banda, as composições, a produção, gravação, o que trouxe mais dor de cabeça pra banda e por quê?
Caio Duarte:
Nada trouxe muita dor de cabeça, fizemos tudo com muita tranqüilidade e foi um processo gostoso. Talvez o único problema tenha sido o atraso na conclusão da gravação, causado pelas nossas agendas cheias, mas como somos uma banda independente e sem obrigações, não foi nada que nos atrapalhou muito.

04. Ouvindo com calma essa trabalho, pude perceber uma gama tremenda de influências dando à banda uma cara toda própria, não parecendo com nada nos moldes que vemos atualmente. Credito isso, com certeza, à influencia de cada um dos músicos participantes. Como foi pra banda lidar com essa gama tão grande de influências, tiveram alguma dificuldade no sentido de mudar canções ou mesmo atritos de ego?
Caio Duarte:
Acho que nosso ecletismo é o nosso maior benefício. Uma espécie de pré-requisito dentro da banda é ter a cabeça aberta, então não ficamos nos preocupando em encaixar nosso som em um determinado gênero, até por que estilo musical é meramente uma coisa estética, uma bobagem inventada pelas gravadoras pra vender mais. Claro que essa forma de trabalho não é abraçada por todos, tanto que tivemos problemas com nosso ex-guitarrista pois ele não estava satisfeito com o rumo da nossa música, mas é algo que respeitamos.

05. Ainda falando no quesito musicalidade, percebemos que cada vez mais as bandas do cenário nacional estão caprichando em seus trabalhos, mas mesmo com toda essa qualidade o público em geral parece que não acredita no trabalho nacional, dando extrema importância aos grupos gringos e deixando de lado nossas bandas. Vocês acreditam que isso ainda possa mudar, ou temos que apostar nos mercados de fora do país pra depois quem sabe ter algum reconhecimento nacional?
Caio Duarte:
O brasileiro realmente tem um bloqueio nesse sentido. É mais ou menos como no cinema, é um preconceito que foi criado baseado em um período de baixa produtividade, e mesmo hoje em dia, quando as coisas são muito diferentes e a qualidade cresce a olhos vistos, ainda existe a noção de que “filme brasileiro não presta”. É claro que isso pode mudar, mas como é uma questão cultural, não tem uma solução fácil. Vai acontecer conforme as pessoas forem abrindo a cabeça, conhecendo mais a fundo a cena brasileira e todas as coisas legais que estão rolando.

06. Falando nessa parte de não reconhecimento, a que vocês creditam esse desinteresse nos grupos nacionais? Será que nós da mídia também não temos certa parcela de culpa por darmos espaço demais em nossos veículos pro pessoal de fora, remetendo aos grupos nacionais a simples resenhas e entrevistas de “meia pagina”? E como a banda acredita que isso possa ser mudado?
Caio Duarte:
A mídia tem uma parcela grande de culpa, mas não a mídia como um todo. Ao longo dos anos 90 a mídia especializada em metal no Brasil se tornou altamente monopolizada e tendenciosa, e algumas pessoas influentes concentraram todos os esforços em promover um grupo mínimo de bandas, em detrimento das demais. Hoje sinto uma mudança acontecendo, mas é bastante lenta... Gravadoras e empresários ainda detém um poder grande sobre os veículos de comunicação. Quem realmente tem o poder e está mudando tudo é a mídia independente, de pequeno porte, levada adiante por fãs da música acima de tudo. Como o All The Bangers!

07. Voltando ao disco “Antigen”, percebi que vocês quiseram transmitir a idéia de que o nome “Antigen” é uma espécie de antídoto para os males da natureza, entre outros pontos. Ao ouvir esse álbum, bateu certo com o meu pensamento que as catástrofes que ocorrem nos dias de hoje nada mais são que uma resposta da natureza ao que o homem vem fazendo com ela a muito tempo, uma espécie de castigo, vocês pensam assim? E acham que ainda “o pior esta por vir”?
Caio Duarte:
Isso não deixa de ser verdade até certo ponto. Claro que existe muita crendice com relação aos castigos da natureza, mas é visível que a Terra está mudando por causa das pegadas do homem. O homem dominou os outros animais, mas o clima e os ecossistemas ainda estão acima dele. Enquanto o homem não enxergar que é insignificante diante destas forças, ainda haverão pessoas se matando por causa de religião ou território. Somente com uma compreensão profunda do nosso lugar no universo é que poderemos enxergar o quão triviais e irrelevantes nossos conflitos culturais e pessoais realmente são.

08. Como está sendo o trabalho de divulgação do trabalho, existem shows marcados e existe a possibilidade de alguma turnê fora do país visto que o álbum esta sendo bem aceito no exterior?
Caio Duarte:
Estamos procurando agendar shows na medida do possível, mas quem conhece a cena sabe que a coisa está totalmente amarrada. Talvez você não tenha reparado, mas em 2009 praticamente nenhuma banda brasileira conseguiu fazer uma grande turnê nacional – com exceção talvez da dobradinha Sepultura/Angra. Isso não é um acidente, o público está totalmente desinformado e desinteressado no patrimônio nacional, preferindo pagar 100 reais para ver um artista estrangeiro ruim do que prestigiar 10 bons shows de bandas nacionais... Mas continuaremos tentando! No exterior a coisa é mais fácil pra gente, mas provavelmente iremos a médio prazo pois estamos cuidando de distribuir nosso disco por lá antes.

09. Fale-nos um pouco dos planos do DYNAHEAD para o futuro. Se tiverem novidades sobre o novo álbum e puderem nos adiantar alguma coisa, os leitores do All the Bangers agradecem.
Caio Duarte:
Iremos gravar nosso primeiro videoclipe em breve, e estamos marcando datas pelo Brasil. Queremos levar nosso show para o máximo de pessoas antes de entrar em estúdio para registrar o próximo! Já começamos a trabalhar em músicas novas, temos muita coisa, e pessoalmente posso dizer que tenho a impressão de que o próximo será muito mais maluco, pesado e bonito do que o “Antigen”.

10. Agora o espaço é da banda para as suas considerações finais, e desde já agradeço a entrevista desejando sorte e banda na sua caminhada.
Caio Duarte:
Valeu a galera do All The Bangers! Muito obrigado a todos que apóiam a cena brasileira de forma legítima, vocês são os heróis da cultura nacional! Para quem não conhece o nosso trabalho ou queira conhecer um pouco mais, é só acessar o nosso site – www.dynahead.com.br – onde está o link para todos os nossos canais de internet. Você também vai encontrar nossa loja virtual, onde pode adquirir o “Antigen” em versão digipak direto da gente, com um preço muito especial. Um grande abraço a todos, e nos vemos na estrada!
 
Home Page Oficial: www.dynahead.com.br
 
Por Wellington Augusto Martinelli
SHOWS DVDs DEMOS ÁLBUNS CONTATOS MATÉRIAS FOTOS ENTREVISTAS NEWS HOME EQUIPE PARCEIROS DOWNLOADS LINKS