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Escolhida
por Mike Portnoy para abrir o show do Dream Theater em Belo
Horizonte (MG), a Deventter mostra no debut, “The 7th Dimension”,
que o baterista americano fez a escolha certa, visto que
a banda apresenta maturidade musical pouco observada atualmente.
Conversamos com Felipe Schäffer, vocalista, e soubemos
mais sobre a proposta Progressive Rock And Roll.
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01.
Como surgiu o Deventter?
Felipe Schäffer: O
Deventter surgiu da necessidade de expressão de seis
caras perturbados, que mais cedo ou mais tarde se encontrariam
pelos caminhos da vida. O encontro e a amizade entre todos
foi uma feliz coincidência! Esses somos nós
hoje. Colocamos nossas experiências musicais, artísticas,
nossos conflitos internos e nossa ânsia pela criação
de algo original em nosso trabalho, e basicamente foi a
partir daí que surgiu a banda. A estória toda
é muito longa, mas se alguém tiver realmente
interesse de lê-la, fiquem à vontade para visitar
a sessão biografia de nosso site www.deventter.com.
02.
O primeiro álbum é “The 7th Dimension”. Houve
algum material anterior (demo - CD ou promo)?
Felipe Schäffer: Sim, em 2001, no inicio da
banda, quando faziam parte dela apenas o Hugo Bertolaccini,
o André Marengo e o André Gabriotti, aconteceu
o primeiro registro do Deventter: a música de 24
minutos “The Beauty And The Dark Side Of Our Lives”, que
se tornou a demo de mesmo nome.
03. A capa do debut e as ilustrações
do encarte lembram muito Pink Floyd. Está é
uma das influências? Que nomes contribuem para a sonoridade
do Deventter?
Felipe Schäffer: Com certeza o Pink Floyd
é uma referência. Não só pela
grandeza musical, mas também pela maneira como trabalham
produção, artes visuais, imagens, etc. Eles
continuam sendo uma banda única e inovadora em todos
os sentidos, sejam eles musicais, tecnológicos ou
experimentais, e nós nos impressionamos até
hoje com o nível que eles alcançaram.
As demais influências vêem de diversos lugares.
Apesar de termos um gosto musical em comum, cada um da banda
aprecia gêneros diferentes também. Na verdade,
nossa inspiração não está necessariamente
apenas ligada a músicos ou a música propriamente
dita. Nós aprendemos muito sobre música com
a vida, filmes, livros, etc. Mas podemos citar sim alguns
nomes que fazem parte de nossas coleções de
CDs, como por exemplo, o Metallica, Black Sabbath, Black
Label Society, King Crimson, Gentle Giant, Dream Theater,
Porcupine Tree, Yes, Muse, Beatles, Led Zeppelin, Genesis,
Marillion, Sepultura, Pantera, Anthrax, Gov’t Mule, The
Black Crowes, entre vários outros.
04. Mesmo investindo no Progressivo, vocês
regravaram Beatles. Como foi a experiência? Há
elementos dos britânicos nas composições
de vocês?
Felipe Schäffer: Bom. Pensar em Beatles é
para nós como pensar em origem. É inegável
o tanto de mudanças que essa banda proporcionou para
o mundo musical de uma maneira geral. Pode - se até
dizer que eles são um divisor de águas em
relação à maneira de como se produzia
e como se produz música popular hoje em dia. Além
disso, partindo do conceito de experimentalismo como música
progressiva, os Beatles também eram uma banda de
rock progressivo.
Independente disso tudo, foi uma experiência maravilhosa
poder regravar essa magnífica canção
que é “Eleanor Rigby”. E, aproveitando a situação,
nos demos a liberdade de colocar a nossa cara nessa canção,
tanto nos arranjos quanto na letra, uma vez que essa regravação
é na verdade uma paródia de caráter
político, isto é, com uma visão bem
atual daquilo que vemos no mundo hoje em dia.
Com certeza encontramos elementos dos Beatles em nossas
composições. Somente o fato de gravarmos da
maneira como gravamos, experimentando, utilizando maneiras
não convencionais, já demonstra o tanto de
influência que eles possuem em nossa música.
05. As músicas do Deventter são muito
criativas. Como é o processo de composição?
Felipe Schäffer: Obrigado pelo elogio!
Não há regra na verdade. Geralmente alguém
da banda leva uma idéia para o ensaio e depois todos
vão complementando. Sempre colocamos nossas almas
naquilo que estamos fazendo. Um fato interessante é
o entrosamento que conseguimos tocando juntos ao longo dos
anos. Aquele lance de estar fazendo uma jam e de, só
olhando para outro, já saber o que fazer instantaneamente.
A confiança também prevalece. Todos confiam
e acreditam muito no potencial de cada um como músico,
e isso nos traz uma liberdade de expressão que nos
ajuda muito na hora de compor. É um processo muito
sensorial e, no fundo, indescritível.
06. Considerando apenas as músicas, o álbum
é excelente, mas a qualidade do áudio comprometeu
o resultado final. Vocês concordam com isto?
Felipe Schäffer: Sim e não.
Na verdade, o áudio foi compatível com aquilo
que tínhamos à disposição na
época: dinheiro escasso e pouco tempo disponível
devido aos compromissos dos integrantes da banda. Além
disso, não podemos negar que toda a gravação
foi uma grande aprendizagem para a banda. Além disso,
vale destacar que aprendemos a ouvir o “The 7th Dimension”
com essa produção, e isso é muito bacana,
pois o álbum retrata o momento em que vivíamos
na época das gravações.
De qualquer forma, o 2º disco do Deventter, que já
está em fase de composição, Felipe
Schäffer: será uma ótima oportunidade
para colocarmos em prática o que aprendemos com o
“The 7th Dimension”.
07. Quais fatores foram responsáveis pelo
áudio incompatível com a proposta do Deventter?
Felipe Schäffer: O "The 7th
Dimension" foi gravado de forma independente, sem produtor,
na raça. Usamos nossos equipamentos da época
e tudo era feito na correria. Entretanto, foi uma experiência
que nos proporcionou grande aprendizado. Hoje, vemos que,
apesar de a produção não ter sido a
ideal, esse álbum realmente relata o que vivemos
na época. Retrata uma fase da banda e isso não
podemos e nem queremos renegar.
08. Marina Rodrigues tem uma ótima voz. Como
surgiu a idéia da participação da cantora?
Ao vivo, como ficam as partes com vocais femininos?
Felipe Schäffer: A Marina é
namorada do vocalista, Felipe Schäffer. Bom, a idéia
surgiu quando ele percebeu que o timbre da voz dela poderia
dar um ar mais suave ao som da banda. Percebemos que o contraste
funcionaria muito bem em algumas vozes da 2ª faixa
do CD, "A Paradox Of Self Destruction". O resultado
foi surpreendente, pois as vozes femininas, muito bem executadas
por sinal, deram mais sentido à temática e
à letra como um todo. Ao vivo a banda consegue se
virar bem, o próprio Felipe faz as partes mais agudas
quando necessário.
09. Vocês abrirão o show do Dream Theater
em Belo Horizonte (MG). Como surgiu o convite e quais as
expectativas?
Felipe Schäffer: Desde Julho de 2007,
estávamos antenados na possibilidade de o Dream Theater
fazer uma turnê na América do Sul com bandas
de abertura. Após a confirmação dos
shows no Brasil, Mike Portnoy divulgou através do
seu fórum a notícia de que ouviria as vinte
primeiras bandas que enviassem seus trabalhos. Dessa forma,
ele mesmo poderia escolher os shows de abertura dessa turnê.
Nós enviamos nosso material pela internet assim que
soubemos, e, para nossa surpresa, fomos uma das três
bandas brasileiras escolhidas. O que podemos dizer? Estamos
extremamente felizes em poder não só conhecer,
mas dividir o palco com caras que são nossos ídolos
desde quando começamos a arranhar nossas primeiras
notas musicais. A expectativa é que seja uma noite
maravilhosa e inesquecível para todos.
10. Progressive Metal ou Progressive Rock? Onde
o Deventter se encaixa melhor?
Felipe Schäffer: Se for para rotular,
preferimos Progressive Rock. Em nossa visão, a nossa
música é Rock ’N Roll. O progressivo seria
por conta das progressões, mudanças bruscas
de ritmos e harmonias, enfim, de ter a liberdade de seguir
o caminho que quisermos como músicos, experimentando
novas sonoridades. Que tal Rock ’N Roll Progressivo?
11. Qual a relação entre o Deventter
e a Voodoo Shyne?
Felipe Schäffer: Sempre fomos grandes
amigos. O Voodoo fez parte do Deventter anos atrás,
quando assumiu o baixo da banda. Ele é um cara que
funciona da mesma maneira que nós, só que
em outro estilo musical. Assim como o Deventter, ele busca
fazer um som diferente do que existe por aí, sempre
expondo seus sentimentos reais.
Sabemos como é difícil levar uma banda de
som próprio no Brasil, então o Voodoo Shyne
e o Deventter sempre se ajudam no que podem. Nós
vemos um futuro promissor para a cena brasileira, apesar
do atraso cultural em que ela se encontra. A internet abriu
espaço para a volta da música feita de coração.
Há muitas pessoas pesquisando novas e verdadeiras
bandas. No entanto, o Brasil precisa tomar consciência
de que quem faz a cena somos nós: as bandas, o público,
os críticos, a mídia e as pessoas que por
tanto tempo levantam a bandeira do Rock sem ganhar um tostão,
ou seja, que fazem isso pelo prazer de compartilhar as coisas
boas da vida com os amigos.
12. Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço
aberto para considerações finais. Abraços.
Felipe Schäffer: Nós do Deventter
é que agradecemos essa oportunidade. Muito obrigado!
Esperamos realmente que todos escutem as nossas músicas
sem pré-conceitos e sem preconceito, com a alma,
e a partir daí tirem suas próprias conclusões.
Além disso, vale ressaltar também que há
muitas bandas boas surgindo no Brasil. Só precisamos
escutar e valorizar mais nossos músicos e nossas
bandas. Em nosso Myspace, há links para os sites
de ótimas bandas que estão surgindo no país.
Se tiverem um tempo, escutem o som deles também.
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Page Oficial: www.deventter.com |
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| Por
Cristiano "Frank" Gonçalves |
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