01.
O Denim And Leather já tem 10 anos de estrada. Por
que só agora o debut foi lançado?
Sergio: Primeiro obrigado pela oportunidade da
entrevista! São vários motivos que nos levaram
a demorar esse tempo para lançar o primeiro CD. Nós
compomos devagar. Na primeira demo, com duas músicas
próprias, nós só tínhamos essas
duas, depois as composições foram saindo e
fomos lançando as demos e participando de coletâneas.
Mas, finalmente, surgiu o convite do Rolldão da Kill
Again para o lançamento do CD, se não tivesse
ocorrido, nós iríamos lançar mais uma
demo. Foi muito melhor assim!
Marcelo: Porém, por demorarmos tanto,
agora já temos material para um segundo disco. Compomos
devagar, mas demoramos mais para gravar.
02. Vocês executam um som bem típico
do N.W.O.B.H.M., coisa que poucas bandas fazem. Esse tipo
de som, sempre foi uma paixão para o Denim and Leather?
Sergio: Sim, somos colecionadores de coisas relacionadas
à N.W.O.B.H.M. Nos encontramos em 98, juntamos um
monte de discos da N.W.O.B.H.M. , como Iron, Saxon, Angel
Witch, Samson, Def Leppard, Holocaust, etc... E selecionamos
um repertório para celebrarmos os 20 anos da N.W.O.B.H.M.
Logo nos primeiros ensaios já começaram a
sair as músicas próprias. Continuamos a tocar
covers da N.W.O.B.H.M, gostamos muito disso, mas agora são
um detalhe, nosso foco é total nas composições
próprias e lançar mais material. E além
das bandas da N.W.O.B.H.M também curtimos as bandas
clássicas como Sabbath, Motorhead, Judas, etc.
Marcelo: Costumo dizer que nos tornamos
uma enciclopédia da N.W.O.B.H.M. ao nos juntarmos
e trocarmos conhecimentos sobre bandas da época.
03. O play possui uma produção legal.
Como foi todo este processo de composição
de “Watch Out!!!”
Sergio: O som é Heavy Metal tradicional,
a base são riffs de guitarra, então eu dou
o toque inicial das músicas. As músicas vêm
na minha cabeça, eu não tenho muito controle
sobre isso. Às vezes vem a música, letra e
melodia. Às vezes só os riffs de guitarra,
aí outro da banda aparece com uma letra, eu olho
e já sei para qual música é. É
um processo meio louco, eu acho que não componho
e sim, fico tentando aprender as músicas que vem
na minha cabeça. Aí chego no meio de um ensaio
e começo a tocar um riff novo, se todos já
começarem a acompanhar, ótimo, vai virar um
som novo! Se eu tocar e ninguém fizer nada, já
descarto essa idéia.
04. Que temas suas letras abordam?
Sergio: Temos 3 letristas na banda, então
os temas variam bastante. Vão desde nosso amor ao
Heavy Metal e a importância da música nas nossas
vidas, histórias fictícias de terror, suicídio,
questionamentos a Deus sobre o sentido da vida e por aí
vai. Apesar de termos 3 físicos na banda ainda não
escrevemos nada na linha ficção científica.
05. Viver do Metal no Brasil é uma utopia.
O que vocês pensam a este respeito?
Sergio: Nós vivemos o Metal, mas não
vivemos do Metal. O Metal é onde nós gastamos
o nosso dinheiro e não nossa fonte de renda. Nós
ralamos a semana inteira para ter grana para gastar com
os ensaios, gravações e até para ir
tocar, porque a grana que a gente recebe nunca cobre os
custos. Seria ótimo poder viver só da banda,
mas desde que não tivéssemos que fazer concessões
sobre o lado artístico. Para nós é
melhor ter um trabalho chato, tipo trabalhar em um banco,
e poder fazer sua música livre, do que viver de música,
mas tocar algo que não seja o que quer.
06. Vocês já estiveram presentes em
coletâneas e um tributo, além de terem 4 demos
lançadas. Futuramente, não há planos
para fazer uma reunião deste material?
Sergio: Na verdade isso já foi feito. O
selo Tailandês Slava Productions, fez uma compilação
de tudo que a gente já gravou até 2006 e lançou
uma fita cassete chamada “Set The Spirit Free – Discography
Tape”, lá tem as duas primeiras demos de estúdio,
a demo gravada ao vivo no Paraguai, as duas músicas
que gravamos para coletâneas e ainda um cover para
um Tributo ao Motorhead que nunca foi lançado. Ficou
faltando apenas o som que gravamos ao Tributo ao Manilla
Road, que não entrou porque é exclusividade
do CD. Provavelmente no nosso segundo CD vamos regravar
sons que estão na nossa primeira demo.
07. Há cena nacional é muito rica,
mas também, desorganizada e ingrata em alguns aspectos.
Como vocês vêem a cena atualmente e que bandas
destacam?
Sergio: Nós não somos do tipo que
fica sentado reclamando de tudo. Não está
bom, levanta e faz alguma coisa! Nas primeiras demos nós
fizemos tudo, juntamos uma grana, parcelamos o pagamento
graças ao nosso amigo e produtor Paulo B., bolamos
a capa, imprimimos e enviamos para vários lugares,
assim apareceram os shows. Muitos desorganizados, mas no
que a gente pode ajudar a gente sempre dá idéias
e opiniões. Nós estamos na cena desde meados
dos anos 80, então a gente já viu de quase
tudo, sempre tem algo que nos surpreende, alguma idéia
mirabolande de algum organizador maluco. Tem que ter muita
força de vontade, amar o que faz e, é claro,
fazer música boa, se não de nada adianta.
E tem muitas bandas na cena atual que fazem isso com louvor,
como é o caso do Blasthrash, Clenched Fist, Neckbreaker,
Vulture, Kremate, etc.
Marcelo: E costumamos ir onde somos convidados.
Na maioria das vezes pagamos para tocar, afinal, como disse
o Sérgio, o que ganhamos nunca é o suficiente
para cobrir os custos. Mas, se não fizermos isso,
se outras bandas não o fizerem, o Metal está
destinado a morrer, pelo menos nos shows de bandas com som
próprio. Espaço para bandas cover sempre há
e sempre houve, mas não é nosso caso.
08. A pirataria é algo que vem detonando
a industria fonográfica, com isso, prejudicando diversas
pessoas. Qual suas opiniões em relação
à pirataria?
Sergio: Primeiro vamos separar as coisas, nos anos
80 os discos piratas eram de gravações ilegais
de shows ao vivo. Esse tipo de disco pirata é algo
para os muito fãs, que já tem os lançamentos
oficiais e querem algo a mais e acho que não prejudica
muito as bandas.
Marcelo: Algumas bandas, como, por exemplo,
o Aerosmith e Black Sabbath oficializaram discos piratas,
devido à grande repercussão. É um caso
a se pensar.
Sergio: Mas falando sobre os downloads
ilegais, MP3, etc. Um dos pontos é que essas pessoas
da grande indústria fonográfica são
uns executivos de terno e gravata acostumados e ganhar milhões,
de repente eles estão em uma situação
que isto não está mais acontecendo e eles
não sabem o que fazer. Mas os músicos são
pessoas criativas, sabem que estamos em uma fase de mudança,
que novidades virão e eles se adaptarão às
mudanças. Muitos reclamam que as lojas de CDs estão
acabando. O CD pode acabar, mas a música não,
as escolas de música, lojas de instrumentos e estúdios
de gravação e ensaio tem crescido nos últimos
anos! Esta é a nossa visão, o importante é
a música e não o formato como ela chega até
nós. É claro que toda a pirataria é
prejudicial, mas ela está causando uma revolução
na indústria fonográfica, não sei para
onde, mas espero que seja para melhor.
09. Agora com o álbum lançado, a banda
vêem fazendo shows?
Sergio: Sim, aos poucos os shows estão aparecendo.
A maioria no interior de São Paulo, que é
onde temos bastante contatos, conforme vão saindo
mais resenhas do CD, entrevista conosco, mais shows aparecem.
Nos show além de tocar sons do CD “Watch Out!!!”,
sempre incluímos um cover, geralmente de alguma banda
da N.W.O.B.H.M.
10.
Muito obrigado pela entrevista. O espaço é
de vocês:
Sergio: Muito obrigado ao All The Bangers!. Valeu!
Up the Leathers! Citando a música Motornoise: “Heavy
Metal Rock tonight – The Bangers Are Alright” |