Não é novidade alguma que a Bahia apresenta um cenário extremo forte. Enriquecendo o underground nordestino, a Deformity BR aposta na fusão Death Metal e Splatterm mantendo uma sonoridade “old school” interessante. Conversamos que Yuri (bateria) que nos falou sobre esses anos de dedicação, dificuldades e planos.

 
01. Em quais condições surgiu a Deformity BR?
Yuri Hamayano:
Como geralmente acontece, a Deformity surgiu a partir da extinção de outras bandas. Assim, naquela ocasião, eu e Julio (sem esquecer da presença do grande Lucio Brutal) decidimos ir em frente e mandar ver com um Death Metal mais lento que, naturalmente, foi evoluindo em peso e podridão ao som que suja os ouvidos alheios nos dias de hoje. Há de se imaginar que, estando no interior da Bahia, manter uma banda com uma sonoridade agressiva não tenha sido algo muito fácil, mas mesmo assim contradizemos todas as previsões e estamos vivos e ativos até hoje... Certo que ainda devendo muito a nossos fãs.

02. O sufixo “BR” é para especificar que a banda é do Brasil ou tem outro significado?
Yuri Hamayano:
É exatamente para especificar que somos brasileiros! A questão toda em torno deste sufixo apareceu por causa da existência de outra banda européia homônima. Como não queríamos modificar o nosso nome, decidimos então por efetuar essa adição! No final acaba sendo um sufixo meramente burocrático, uma vez que as pessoas nos conhecem apenas por Deformity. Mas como o BR funciona, deixemos do jeito que está!

03. Quais são as principais influências?
Yuri Hamayano:
Cristiano, eu sempre achei complicado falar em influências.. Como você mesmo já deixou claro no comentário de nosso material, há certa influência do Cannibal e tals, no entanto, eu gosto de ver essa questão das influências de uma maneira mais ampla. Assim, penso que a nossa influência são os álbuns clássicos das bandas de Death Metal do grande período histórico da produção Death Metálica de todos os tempos, situado entre 89 e 92. Na minha mais sincera opinião, esse foi o período mais frutífero para o Death Metal e por mais que tenhamos buscado uma sonoridade própria, essa memória ficou registrada em nossa maneira de perceber e conceber o Death Metal!

04. Em “There’ s More Blood Coming” faltam dados referentes à gravação, mixagem e masterização. Vocês podem nos informar? Entre compor as duas faixas e lançar o promo, quanto tempo?
Yuri Hamayano:
Hahahaha... Peço desculpa pela falta de informação sobre o material, mas foi meio que intencional! Afinal, eu queria que esse material promocional chegasse ao maior número possível de pessoas, o que se tornaria mais fácil com uma produção mais barata! Realmente a história do lançamento deste material é bastante interessante! Pena não haver espaço para tais comentários no próprio! Hehehehe... Cara, começamos a gravar um material com a intenção de uma pré - produção no final de 2006, assim, nós fomos até um estúdio para gravar a bateria, que entrou num só canal da placa de som do nosso PC mesmo. As guitarras também foram feitas neste estúdio. O restante foi feito em casa mesmo e toda a mixagem foi dirigida por nós, no método da tentativa e erro. Acabou que as músicas “Squeezing Necks” e “Tumor” ficaram com um resultado legal e decidimos de última hora fazer a divulgação! Foi quase que instantâneo, pois ainda corremos para finalizar a mixagem, uma vez que eu estaria viajando para fazer umas datas no sudeste com o Mystifier. Assim, aproveitamos a oportunidade para levar a promo às mãos metálicas da galera underground.

05. Com tantos anos de estrada, o que impede o lançamento de um álbum? Há previsão para isto?
Yuri Hamayano:
Eis uma pergunta que não quer calar! Sempre fomos lentos com relação aos nossos lançamentos. Um das questões foi quanto à exigência da qualidade sonora, das composições e tals. Outra foi devido a certo isolamento aqui no interior do estado. Hoje os problemas já são outros, como as pesadas responsabilidades da vida e tals, mas estamos em estúdio desde meados do ano passado, preparando um material a doses homeopáticas, para tentar o nosso primeiro álbum! Falta muito pouco a ser fechado. Até nós já estamos impacientes com tamanha morosidade! O próximo problema agora será encontrar alguém que se interesse me lançar o nosso material!

06. De 1995 até 2008, o que vocês observam de diferente no cenário underground?
Yuri Hamayano:
Creio que a maior e mais impactante diferença tenha provindo da abertura que a internet proporcionou na divulgação das bandas. Além disso, o próprio acesso que as pessoas tiveram às informações sobre a cultura metálica, antes bastante restrita ao mundo underground. Não sei se concomitante a este fato tecnológico, mas ocorreu também uma explosão de bandas e relativa facilidade em gravar seus trabalhos – isso pode ser sentido de forma mais marcante se voltamos um pouco antes ao ano de 95. Tendo em mãos toda essa facilidade tecnológica e de informação, também traduzida em instrumentos mais baratos e melhores músicos, a qualidade das bandas aumentou consideravelmente. Assim também o público aumentou e temos mais espaço para mostrar o trabalho das bandas. Por outro lado, surgiram muitas coisas estranhas no cenário, influências sonoras e ideológicas dúbias, posturas sem louvor algum. Enfim, muita coisa boa e muita coisa ruim!

07. A capa de “There´s More Blood Coming” lembra os álbuns da Flesh Grinder. Vocês concordam com a afirmativa? O que acham do trabalho dos catarinenses?
Yuri Hamayano:
Infelizmente acabei não acompanhando muito o trabalho dos caras muito além do “Anatomy & Surgery”. Mas admiro sim o pouco que conheço. Aliás, é muito louvável a batalha dos caras, tendo se tornado uma referência no estilo! Realmente, a capa deste último trabalho nosso lembra não apenas os trabalhos do velho Flesh Grinder, mas da maioria das bandas do estilo. Se bem que prefiro as capas menos realísticas, mas não escapamos da tradição nessa última! Tentaremos trazer novidades com o trabalho gráfico do futuro álbum!

08. O que dificulta o reconhecimento de uma banda de regiões extremas, incluindo norte, nordeste e sul, pelo cenário sudeste?
Yuri Hamayano:
Como comentei a pouco, o nível das bandas é mais elevado agora, como também sua quantidade. Nada mais natural que um cenário local tente se fechar para sua produção própria, tentando assim criar uma reserva de produção/consumo. Fazendo uma reflexão histórica da aceitação das bandas do norte/nordeste, vê - se claramente que ao surgirem bandas como Stress, Headhunter DC e Mystifier, além da menos conhecida Krânio Metálico, sua aceitação foi imediata pelo pessoal do sudeste. Mas ainda acho que, caso apareçam bandas que estejam acima da média, estas conseguirão entrada certa no sudeste.

09. São poucas as bandas extremas que cantam em português. Que fatores impedem a utilização de nosso idioma?
Yuri Hamayano:
O primeiro posicionamento é claro (mesmo que utilizado de forma inconsciente): o maior mercado consumidor está na Europa, por isso deve - se preparar um material que possua melhor aceitação neste tal mercado. Após isso é que aparece o fator histórico da utilização da língua inglesa. E o interessante é que muitas bandas possuem problemas de fluência, como também de domínio da estrutura da língua inglesa, mas mesmo assim não a deixam de utilizar. Pouquíssimas bandas pesam este fator de forma diferente.

10. Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço aberto para as considerações finais. Grande abraço.
Yuri Hamayano:
Velho Cristiano, muito obrigado por ter aberto esse espaço para a Deformity. Muito obrigado também pelo suporte!!! Continue com forças para manter a chama acesa e firme o trabalho metálico, seja com o All The Bangers, ou mesmo de outras formas! Encorajo os irmãos no Metal a procurarem e escutarem o nosso som. Comentem, critiquem, entrem em contato. Esse acaba sendo o nosso maior retorno nessa batalha!!! Joguem lenha na fogueira!!! Aguardem um breve lançamento oficial nosso!
 
Home Page Oficial: www.geocities.com/deformity_br
 
Por Cristiano "Frank" Gonçalves
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