01.
Resumidamente, conte - nos a história da Apocalypse.
Gustavo Demarchi: Difícil
resumir porque estamos falando de um período muito
grande e que com certeza, é cada vez mais difícil
de se alcançar, mas vamos lá. O APOCALYPSE
surgiu em 1983, em Caxias do Sul, na Serra gaúcha.
Desde o início até hoje estão o tecladista
Eloy Fritsh, seu irmão, o guitarrista Ruy Fritsch
e o baterista Chico Fasoli. Com essa formação
que ainda contava com um baixista e vocalista, e fazendo
progressivo em português, a banda venceu vários
festivais no Rio Grande do Sul, e participou de uma coletânea
da afiliada da Rede Globo no sul em 1989 gravando o primeiro
LP em 1991 como um trio, sem o Ruy que retornaria à
banda em 1992. É interessante lembrar disso, pois
foi exatamente aí que comecei a ouvir falar e a tomar
contato com a música do Apocalypse. Claro, nem nos
conhecíamos pessoalmente, embora tivéssemos
alguns amigos em comum, mas nessa época eu desenvolvia
minha própria história musical, e com certeza
nunca poderia imaginar que nossas historias se cruzariam
bem mais à frente. Mas voltando à história
da banda, em 1992 o Apocalypse assinou com a gravadora francesa
MUSEA para lançar 3 álbuns na Europa. Com
isso, a banda teve seus lançamentos disponíveis
apenas na Europa e quase inacessíveis ao público
brasileiro. Em 1998 a gravadora paulista Atração
resolveu em parte esse problema, lançando uma coletânea
com composições dos álbuns franceses.
Isso rendeu uma série de shows importantes como os
do Rio de Janeiro com os ingleses do Pendragon, e a participação
no Planeta Atlântida, além da ida aos USA para
realizar um concerto no ProgDay em 1999. No retorno dos
USA, a banda assinou com a Rock Symphony do Rio de Janeiro,
lançando os álbuns “Live In USA” e Refúgio.
Esta mesma gravadora também lançou uma edição
brasileira do primeiro álbum francês, o “Perto
Do Amanhecer”. Em 2004, começa a minha história
na banda onde fui convidado pelo Eloy para ser o vocalista
da banda, juntamente com meu velho amigo Magoo Wise (baixo)
com quem tocava na banda The Wise. O grupo então
tornou-se um quinteto e com esta formação
mudamos o idioma das canções de português
para inglês, lançando primeiramente o EP “Magic:
The Radio Edits” que também disponibilizamos aos
fãs gratuitamente em nosso website oficial, e lançamos
nosso primeiro DVD, “Live In Rio” (que também saiu
em CD), gravado a convite da Rock Symphony no Teatro Municipal
de Niterói.
02. O nome da banda é bastante comum, inclusive
na região em que moro houve uma homônima. Não
há possibilidades de problemas legais?
Gustavo Demarchi: Se por comum você quer
dizer de fácil assimilação, bem, méritos
para a banda, assim como para vocês pelo nome do site
que também segue uma linha de fácil assimilação.
Sobre nosso caso, não culparia outros de ter a mesma
idéia, mas se fosse batizar uma banda sabendo que
existe outra com o mesmo nome e 25 anos de estrada e 9 discos
gravados, eu provavelmente pensaria melhor a esse respeito,
ainda mais nessa época de internet. Nomes bons não
faltam. Esse é meu pensamento, de todos na nossa
banda, então creio que não precisamos “brigar”
pelo nome, já que o temos por direito, fizemos por
merecer, uma vez que todos sabem quem somos e que viemos
primeiro. Não conheço a banda a qual você
se refere, mas creio que não seja do mesmo estilo
que nós.
03. Viver de música no Brasil é uma
tarefa complicada. Os integrantes da Apocalypse exercem
atividades paralelas? Quais seriam?
Gustavo Demarchi: O Brasil definitivamente não
valoriza sua arte. E no caso da música é muito
pior, pois você tem que conviver com todos aqueles
estilos que geram discussão até quanto a seu
valor musical. Então, no Brasil, acho que só
poderíamos manter uma banda como a Apocalypse exercendo
atividades paralelas. O que no nosso caso facilita, é
que todos somos micro - empresários ou temos autonomia
nos nossos empregos. Eu tenho um estúdio de design,
o Magoo uma empresa de informática, o Ruy trabalha
com computação gráfica, já o
Chico é gerente de uma Imobiliária e o Eloy
é professor de música da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Com certeza, se pudéssemos
inverteríamos e viveríamos apenas da nossa
música, mas olhando por outro lado, eu acho até
bom que seja como é, porque a banda vira uma válvula
de escape, e podemos ser mais exigentes com o que fazemos
ao mesmo tempo que nos mantemos fieis ao que acreditamos
sem apelar para modismos ou formulas fáceis. Posso
dizer que o que nos move e o segredo de chegarmos onde chegamos
é entre outras coisas, o fato de fazer o que fazemos
por que amamos.
04. Vocês têm uma experiência
considerável em palcos estrangeiros. Como é
a aceitação do Rock Progressivo no exterior?
O que há de diferente em relação ao
Brasil?
Gustavo Demarchi: Basicamente, o que já
estava falando antes, é o respeito à arte
e às manifestações artísticas,
e principalmente ao artista. Lá fora, as pessoas
valorizam isso, compram discos, vão a shows mesmo
que não conheçam a banda. Isso é muito
cultural, é muito pela curiosidade de conhecer coisas
novas. Isso não acontece apenas na música,
mas em todas as manifestações culturais, e
é questão de mentalidade mesmo, não
tem a ver tanto com o aspecto financeiro, até por
que você pode ver shows por aqui a um preço
bem acessível. Acho que o público daqui teria
que apoiar mais os artistas, e infelizmente isso não
ocorre. Tratamos o que vem de fora como algo maravilhoso
e praticamente viramos as costas para se produz no país,
em qualquer estilo que não seja o que toca nas grandes
rádios e nos programas de TV do domingo.
No nosso caso específico, às vezes chega a
ser paradoxal ser mais reconhecido lá fora do que
aqui, sendo que vivemos aqui, mas creio que estamos mudando
esse panorama aos poucos. Faz algum tempo, que temos tentado
fazer o maior número de shows possíveis e
participado de vários festivais por aqui, ao invés
de nos contentar em ser conhecidos apenas lá fora.
Em muitos desses shows tocamos para públicos diferentes
do nosso, e nossa aceitação tem sido muito
boa, ou seja, em alguns casos apresentamos esse público
pela primeira vez ao estilo musical que fazemos. É
comum escutar ao final do show, pessoas virem nos cumprimentar
e falar algo como: “puxa, vocês fazem um som que eu
nem sabia que aqui no Brasil alguém fazia”.
05. Até pouco tempo, as músicas eram
em português. Qual a reação dos gringos
ao ouvir músicas no nosso idioma?
Gustavo Demarchi: Pelo retorno que temos tido,
a reação tem sido extremamente positiva. Me
parecia que a banda fazendo som em português era vista
lá fora mais como uma “curiosidade”, algo para ser
conferido, mas nada muito além disso, pois a língua
talvez fosse um impeditivo exatamente por não ser
entendida. Agora isso mudou. Temos tido muitos contatos
com sites, imprensa e organizadores de festivais no exterior
e praticamente não ouvi críticas a essa nova
fase. Então parece óbvio que estamos sendo
mais notados por esse público externo. Mas o que
me surpreende é a reação aqui. O público
daqui aumentou bastante. Acho que a questão da língua
nos aproximou ainda mais de nossas influências criando
um contato mais imediato com quem nos ouve.
06. Qual o motivo da opção em cantar
em inglês no DVD?
Gustavo Demarchi: Foi esse o modo como quisemos
que as coisas se encaminhassem nessa nova fase da banda.
Era um desejo antigo da Apocalypse fazer canções
em inglês, mas até minha entrada, isso estava
contido. Quando fui convidado para a banda, em um primeiro
momento, foi exatamente para tornarmos isso uma realidade.
Achamos o resultado tão bom que foi natural definir
como o novo direcionamento para a banda e o público
reagiu muito bem. Eu sempre digo que “Live In Rio”, nos
deu uma chance única de preparar o público
para essa nova etapa na história da Apocalypse que
segue agora com o lançamento do novo álbum,
“The Bridge Of Light”, o primeiro de inéditas dessa
nova formação.
07. A versão do DVD que recebi veio em mídia
gravável e com alguns problemas, especificamente
incompatibilidade com alguns players e travamento na entrevista.
Isto foi um defeito da matriz ou da cópia?
Gustavo Demarchi: O que acontece é que você
recebeu uma cópia promocional. Felizmente as vendas
do DVD têm sido bem boas e o estoque está terminando.
Então para que toda a imprensa tenha contato com
nosso material, optamos por fazer dessa forma, pois não
adianta divulgar um DVD que não esteja em estoque
para o público. Quanto aos defeitos que você
apontou, com certeza são dessa cópia que você
tem aí. Até agora não havia tido problemas,
nos próximos corrigiremos isso, principalmente aumentando
antes a tiragem do álbum.
08. No show, observamos influências de Yes
e Marillion. Que outras bandas inspiram a Apocalypse?
Gustavo Demarchi: Todos tem suas próprias
influências, mas no que cabe à banda, além
desses que você citou, eu lembraria também
de nomes como Rush, Pink Floyd, Genesis, King Crimson, Journey,
Kansas, além de Rainbow, Whitesnake, Deep Purple
e Uriah Heep, que tem influenciado bastante essa formação,
e das nacionais, Mutantes, O Terço e Sagrado Coração
da Terra. São essas que me vem agora à mente.
09. Vocês tinham contrato com uma gravadora
estrangeira. Como surgiu a oportunidade e qual a vantagem?
Houve interesse por parte de algum selo brasileiro?
Gustavo Demarchi: Já faz um bom tempo que
temos trabalhado com selos brasileiros sem deixar de lado
o que conquistamos fora. O próximo álbum,
“The Bridge Of Light”, por aqui será o primeiro a
sair pela Free Mind Records, e lá fora, como sempre,
pela Musea.
10.
Quais os planos para os próximos trabalhos? Vocês
pretendem manter o inglês como idioma ou o DVD foi
apenas um experimento?
Gustavo Demarchi: Com certeza a língua que
será base para nossos álbuns é definitivamente
o inglês, por tudo o que falamos antes.
Mas não gosto de fechar a porta para as coisas, pois
podemos decidir que tal música possa ser melhor se
cantada em outra língua. O Judas novo tem trechos
cantados em latim... Se ficar legal cantar alguns trechos
ou musicas em outras línguas, por que não
fazer?
11.
Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço aberto
para as considerações finais. Grande abraço.
Gustavo Demarchi: O prazer foi todo meu. Sei que
falo em nome de toda a banda quando venho agradecer a este
espaço e pelo interesse de vocês no que fazemos.
É muito bom ter a oportunidade de expor nossos pensamentos,
e principalmente falar sobre nosso trabalho.
O novo álbum, “The Bridge Of Light”, já está
pronto e sai no segundo semestre (divulgaremos logo a data
de lançamento) e espero, logo esteja a disposição
do site para review. E sem problemas técnicos, dessa
vez, hehehe.
Espero que todos gostem tanto quanto gostamos de tê
- lo feito. Gostaria de mandar um abraço a todos
que admiram nossa música e que nos acompanham nos
incentivando a cada dia. Nos veremos logo em tour. Gostaria
também de agradecer aos nossos grandes amigos e colaboradores
da “família Apocalypse”: Clóvis Tavares da
Vila do Rock, nosso web master, aos grandes Bruno e o Cândido
presidentes do fã - clube do Apocalypse, dar um grande
boas vindas a nossa nova parceira a Free Mind Records, do
grande Rodrigo Balan, e um grande abraço ao Eliton
Tomasi, da Som do Darma, nosso manager. Também gostaria
de agradecer aos nossos endorsers, Tokai fabricantes de
órgão eletrônicos e à Labolida,
fabricante de sintetizadores, por acreditarem na música
do Apocalypse e mandar um grande abraço ao Robson
Piccin, que está fazendo uma grande arte para o novo
álbum. Por último, gostaria de convidar a
todo o pessoal que acessa o All the Bangers para conhecerem
melhor a Apocalypse, visitando o site (www.apocalypseband.com),
Myspace (www.myspace.com/apocalypsebr)
bem como fazer parte de nossa comunidade no orkut, participar
do fã - clube (www.apocalypsefc.kit.net).
Sintam - se livres para nos contatar, e acessar nossas musicas
e vídeos em qualquer um desses endereços.
Fiquem atentos e compareçam a nossos shows e prestigiem
as bandas daqui. Sempre digo que uma cena forte só
se consegue com participação de todos. Grande
abraço. |