Com uma sonoridade setentista aliada aos recursos modernos de produção, a Apocalypse chega aos 25 anos de estrada lançando o DVD “Live In Rio”, primeiro registro cantado em inglês.
Conversamos com o vocalista Gustavo, membro mais recente da banda, que nos contou detalhes sobre a história e os planos deste quinteto influenciado por nomes como Yes, Uriah Heep, Pink Floyd, Genesis e Deep Purple.

 
01. Resumidamente, conte - nos a história da Apocalypse.
Gustavo Demarchi:
Difícil resumir porque estamos falando de um período muito grande e que com certeza, é cada vez mais difícil de se alcançar, mas vamos lá. O APOCALYPSE surgiu em 1983, em Caxias do Sul, na Serra gaúcha. Desde o início até hoje estão o tecladista Eloy Fritsh, seu irmão, o guitarrista Ruy Fritsch e o baterista Chico Fasoli. Com essa formação que ainda contava com um baixista e vocalista, e fazendo progressivo em português, a banda venceu vários festivais no Rio Grande do Sul, e participou de uma coletânea da afiliada da Rede Globo no sul em 1989 gravando o primeiro LP em 1991 como um trio, sem o Ruy que retornaria à banda em 1992. É interessante lembrar disso, pois foi exatamente aí que comecei a ouvir falar e a tomar contato com a música do Apocalypse. Claro, nem nos conhecíamos pessoalmente, embora tivéssemos alguns amigos em comum, mas nessa época eu desenvolvia minha própria história musical, e com certeza nunca poderia imaginar que nossas historias se cruzariam bem mais à frente. Mas voltando à história da banda, em 1992 o Apocalypse assinou com a gravadora francesa MUSEA para lançar 3 álbuns na Europa. Com isso, a banda teve seus lançamentos disponíveis apenas na Europa e quase inacessíveis ao público brasileiro. Em 1998 a gravadora paulista Atração resolveu em parte esse problema, lançando uma coletânea com composições dos álbuns franceses. Isso rendeu uma série de shows importantes como os do Rio de Janeiro com os ingleses do Pendragon, e a participação no Planeta Atlântida, além da ida aos USA para realizar um concerto no ProgDay em 1999. No retorno dos USA, a banda assinou com a Rock Symphony do Rio de Janeiro, lançando os álbuns “Live In USA” e Refúgio. Esta mesma gravadora também lançou uma edição brasileira do primeiro álbum francês, o “Perto Do Amanhecer”. Em 2004, começa a minha história na banda onde fui convidado pelo Eloy para ser o vocalista da banda, juntamente com meu velho amigo Magoo Wise (baixo) com quem tocava na banda The Wise. O grupo então tornou-se um quinteto e com esta formação mudamos o idioma das canções de português para inglês, lançando primeiramente o EP “Magic: The Radio Edits” que também disponibilizamos aos fãs gratuitamente em nosso website oficial, e lançamos nosso primeiro DVD, “Live In Rio” (que também saiu em CD), gravado a convite da Rock Symphony no Teatro Municipal de Niterói.

02. O nome da banda é bastante comum, inclusive na região em que moro houve uma homônima. Não há possibilidades de problemas legais?
Gustavo Demarchi:
Se por comum você quer dizer de fácil assimilação, bem, méritos para a banda, assim como para vocês pelo nome do site que também segue uma linha de fácil assimilação. Sobre nosso caso, não culparia outros de ter a mesma idéia, mas se fosse batizar uma banda sabendo que existe outra com o mesmo nome e 25 anos de estrada e 9 discos gravados, eu provavelmente pensaria melhor a esse respeito, ainda mais nessa época de internet. Nomes bons não faltam. Esse é meu pensamento, de todos na nossa banda, então creio que não precisamos “brigar” pelo nome, já que o temos por direito, fizemos por merecer, uma vez que todos sabem quem somos e que viemos primeiro. Não conheço a banda a qual você se refere, mas creio que não seja do mesmo estilo que nós.

03. Viver de música no Brasil é uma tarefa complicada. Os integrantes da Apocalypse exercem atividades paralelas? Quais seriam?
Gustavo Demarchi:
O Brasil definitivamente não valoriza sua arte. E no caso da música é muito pior, pois você tem que conviver com todos aqueles estilos que geram discussão até quanto a seu valor musical. Então, no Brasil, acho que só poderíamos manter uma banda como a Apocalypse exercendo atividades paralelas. O que no nosso caso facilita, é que todos somos micro - empresários ou temos autonomia nos nossos empregos. Eu tenho um estúdio de design, o Magoo uma empresa de informática, o Ruy trabalha com computação gráfica, já o Chico é gerente de uma Imobiliária e o Eloy é professor de música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Com certeza, se pudéssemos inverteríamos e viveríamos apenas da nossa música, mas olhando por outro lado, eu acho até bom que seja como é, porque a banda vira uma válvula de escape, e podemos ser mais exigentes com o que fazemos ao mesmo tempo que nos mantemos fieis ao que acreditamos sem apelar para modismos ou formulas fáceis. Posso dizer que o que nos move e o segredo de chegarmos onde chegamos é entre outras coisas, o fato de fazer o que fazemos por que amamos.

04. Vocês têm uma experiência considerável em palcos estrangeiros. Como é a aceitação do Rock Progressivo no exterior? O que há de diferente em relação ao Brasil?
Gustavo Demarchi:
Basicamente, o que já estava falando antes, é o respeito à arte e às manifestações artísticas, e principalmente ao artista. Lá fora, as pessoas valorizam isso, compram discos, vão a shows mesmo que não conheçam a banda. Isso é muito cultural, é muito pela curiosidade de conhecer coisas novas. Isso não acontece apenas na música, mas em todas as manifestações culturais, e é questão de mentalidade mesmo, não tem a ver tanto com o aspecto financeiro, até por que você pode ver shows por aqui a um preço bem acessível. Acho que o público daqui teria que apoiar mais os artistas, e infelizmente isso não ocorre. Tratamos o que vem de fora como algo maravilhoso e praticamente viramos as costas para se produz no país, em qualquer estilo que não seja o que toca nas grandes rádios e nos programas de TV do domingo.
No nosso caso específico, às vezes chega a ser paradoxal ser mais reconhecido lá fora do que aqui, sendo que vivemos aqui, mas creio que estamos mudando esse panorama aos poucos. Faz algum tempo, que temos tentado fazer o maior número de shows possíveis e participado de vários festivais por aqui, ao invés de nos contentar em ser conhecidos apenas lá fora. Em muitos desses shows tocamos para públicos diferentes do nosso, e nossa aceitação tem sido muito boa, ou seja, em alguns casos apresentamos esse público pela primeira vez ao estilo musical que fazemos. É comum escutar ao final do show, pessoas virem nos cumprimentar e falar algo como: “puxa, vocês fazem um som que eu nem sabia que aqui no Brasil alguém fazia”.

05. Até pouco tempo, as músicas eram em português. Qual a reação dos gringos ao ouvir músicas no nosso idioma?
Gustavo Demarchi:
Pelo retorno que temos tido, a reação tem sido extremamente positiva. Me parecia que a banda fazendo som em português era vista lá fora mais como uma “curiosidade”, algo para ser conferido, mas nada muito além disso, pois a língua talvez fosse um impeditivo exatamente por não ser entendida. Agora isso mudou. Temos tido muitos contatos com sites, imprensa e organizadores de festivais no exterior e praticamente não ouvi críticas a essa nova fase. Então parece óbvio que estamos sendo mais notados por esse público externo. Mas o que me surpreende é a reação aqui. O público daqui aumentou bastante. Acho que a questão da língua nos aproximou ainda mais de nossas influências criando um contato mais imediato com quem nos ouve.

06. Qual o motivo da opção em cantar em inglês no DVD?
Gustavo Demarchi:
Foi esse o modo como quisemos que as coisas se encaminhassem nessa nova fase da banda. Era um desejo antigo da Apocalypse fazer canções em inglês, mas até minha entrada, isso estava contido. Quando fui convidado para a banda, em um primeiro momento, foi exatamente para tornarmos isso uma realidade. Achamos o resultado tão bom que foi natural definir como o novo direcionamento para a banda e o público reagiu muito bem. Eu sempre digo que “Live In Rio”, nos deu uma chance única de preparar o público para essa nova etapa na história da Apocalypse que segue agora com o lançamento do novo álbum, “The Bridge Of Light”, o primeiro de inéditas dessa nova formação.

07. A versão do DVD que recebi veio em mídia gravável e com alguns problemas, especificamente incompatibilidade com alguns players e travamento na entrevista. Isto foi um defeito da matriz ou da cópia?
Gustavo Demarchi:
O que acontece é que você recebeu uma cópia promocional. Felizmente as vendas do DVD têm sido bem boas e o estoque está terminando. Então para que toda a imprensa tenha contato com nosso material, optamos por fazer dessa forma, pois não adianta divulgar um DVD que não esteja em estoque para o público. Quanto aos defeitos que você apontou, com certeza são dessa cópia que você tem aí. Até agora não havia tido problemas, nos próximos corrigiremos isso, principalmente aumentando antes a tiragem do álbum.

08. No show, observamos influências de Yes e Marillion. Que outras bandas inspiram a Apocalypse?
Gustavo Demarchi:
Todos tem suas próprias influências, mas no que cabe à banda, além desses que você citou, eu lembraria também de nomes como Rush, Pink Floyd, Genesis, King Crimson, Journey, Kansas, além de Rainbow, Whitesnake, Deep Purple e Uriah Heep, que tem influenciado bastante essa formação, e das nacionais, Mutantes, O Terço e Sagrado Coração da Terra. São essas que me vem agora à mente.

09. Vocês tinham contrato com uma gravadora estrangeira. Como surgiu a oportunidade e qual a vantagem? Houve interesse por parte de algum selo brasileiro?
Gustavo Demarchi:
Já faz um bom tempo que temos trabalhado com selos brasileiros sem deixar de lado o que conquistamos fora. O próximo álbum, “The Bridge Of Light”, por aqui será o primeiro a sair pela Free Mind Records, e lá fora, como sempre, pela Musea.

10. Quais os planos para os próximos trabalhos? Vocês pretendem manter o inglês como idioma ou o DVD foi apenas um experimento?
Gustavo Demarchi:
Com certeza a língua que será base para nossos álbuns é definitivamente o inglês, por tudo o que falamos antes.
Mas não gosto de fechar a porta para as coisas, pois podemos decidir que tal música possa ser melhor se cantada em outra língua. O Judas novo tem trechos cantados em latim... Se ficar legal cantar alguns trechos ou musicas em outras línguas, por que não fazer?

11. Agradecemos pelas respostas e deixamos o espaço aberto para as considerações finais. Grande abraço.
Gustavo Demarchi:
O prazer foi todo meu. Sei que falo em nome de toda a banda quando venho agradecer a este espaço e pelo interesse de vocês no que fazemos. É muito bom ter a oportunidade de expor nossos pensamentos, e principalmente falar sobre nosso trabalho.
O novo álbum, “The Bridge Of Light”, já está pronto e sai no segundo semestre (divulgaremos logo a data de lançamento) e espero, logo esteja a disposição do site para review. E sem problemas técnicos, dessa vez, hehehe.
Espero que todos gostem tanto quanto gostamos de tê - lo feito. Gostaria de mandar um abraço a todos que admiram nossa música e que nos acompanham nos incentivando a cada dia. Nos veremos logo em tour. Gostaria também de agradecer aos nossos grandes amigos e colaboradores da “família Apocalypse”: Clóvis Tavares da Vila do Rock, nosso web master, aos grandes Bruno e o Cândido presidentes do fã - clube do Apocalypse, dar um grande boas vindas a nossa nova parceira a Free Mind Records, do grande Rodrigo Balan, e um grande abraço ao Eliton Tomasi, da Som do Darma, nosso manager. Também gostaria de agradecer aos nossos endorsers, Tokai fabricantes de órgão eletrônicos e à Labolida, fabricante de sintetizadores, por acreditarem na música do Apocalypse e mandar um grande abraço ao Robson Piccin, que está fazendo uma grande arte para o novo álbum. Por último, gostaria de convidar a todo o pessoal que acessa o All the Bangers para conhecerem melhor a Apocalypse, visitando o site (www.apocalypseband.com), Myspace (www.myspace.com/apocalypsebr) bem como fazer parte de nossa comunidade no orkut, participar do fã - clube (www.apocalypsefc.kit.net). Sintam - se livres para nos contatar, e acessar nossas musicas e vídeos em qualquer um desses endereços. Fiquem atentos e compareçam a nossos shows e prestigiem as bandas daqui. Sempre digo que uma cena forte só se consegue com participação de todos. Grande abraço.

 
Home Page Oficial: www.apocalypseband.com
 
Por Cristiano "Frank" Gonçalves
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